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quarta-feira, 18 de maio de 2016

A ética da alocação dos recursos em saúde

Resolvi resgatar este trabalho porque a questão está mais viva do que nunca, face às propostas de redimensionamento do SUS

Por uma Ética do Gerenciamento dos Conflitos

Rejane Maria de Freitas Xavier

Resumo


Na "condição pós-moderna", fragmentária e plural da sociedade contemporânea, a gestão dos recursos em saúde tem de enfrentar conflitos inéditos. O que torna peculiar a situação da nossa época não é a falta de um corpo formal de princípios bioéticos básicos, mas a ausência de um marco comunitário universalmente compartilhado que proporcione aos mesmos um conteúdo substantivo homogêneo. Pela primeira vez na história aceita-se, dentro da sociedade, a oposição entre pontos de vista que, embora inconciliáveis, são reconhecidos como igualmente legítimos e respeitáveis. Sugere-se que nas decisões e na implementação das políticas de alocação de recursos a abertura para uma ampla participação dos diferentes grupos e agentes sociais seria a melhor forma de contribuir, neste campo, para recriar uma nova base comunitária, não-homogeneizante, capaz de fundar uma ética do gerenciamento do conflito legítimo, única adequada e possível para o nosso tempo.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Durma com um barulho desses


Barulho deve ter alguma coisa a ver com poder. “Falar mais alto”, afinal, não significa prevalecer, levar a melhor, exercer influência? Será por isso que a nossa sociedade mergulha cada vez mais num frenesi de ruídos, que já nem somos mais capazes de ouvir?

Esta semana fui acordada, às 4h da madrugada, por um grupo que estacionou entre o meu bloco e o de trás (espaço que forma uma terrível caixa de ressonância, onde até as conversas dos porteiros se amplificam de forma assustadora). O carro não era grande, mas estava equipado com um sistema de som de fazer inveja ao trio elétrico do Armandinho. As três pessoas do carro desceram conversando, ou discutindo, aos berros. Abri a janela e “agradeci”: Obrigada, a música de vocês está mesmo muito melhor do que o meu sono!

Não ouviram, é claro. Depois de mais alguns gritos no estacionamento, entraram em casa: para meu azar, um apartamento cujas janelas davam exatamente para as do meu quarto. E lá fiquei eu, até as cinco ou seis da manhã, a ouvir os impropérios e os gritos daquele grupo, audivelmente embriagado ou drogado.

Essa noite estragada é apenas um exemplo de fatos que ocorrem com assustadora naturalidade e frequência nas nossas quadras. O ruído dos carros e motos parece regulado para emular o rugido das poderosas feras das selvas primitivas. Quermesses de igreja, blocos de Carnaval, comemorações nos salões de festa se revezam o ano todo para infernizar as noites, e não respeitam horários nem nível de decibéis.

Se não dá para dormir à noite, que tal tentar esticar um pouco o soninho da manhã? Doce ilusão. Bem cedinho, chegam as motos dos entregadores de jornal. Em seguida, as vans e ônibus que buscam as crianças para as escolas. Em breve, os caminhões de lixo, os vizinhos saindo para o trabalho, o abacaxi de montes claros.