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domingo, 10 de fevereiro de 2013

O sucateamento da Petrobras

A ridícula manobra de acusar Serra de entreguismo esconde o fracasso dos governos petistas na condução da política do petróleo.

"Depois que a própria direção reconheceu o desastre de 2012 e previu que resultados ainda piores podem vir em 2013, é preciso entender que a Petrobras não está dando conta das tarefas de que foi investida.
É areia demais para seu caminhão. Não consegue cumprir todas as metas impostas pelo governo. Não se mostra capaz de, ao mesmo tempo, aumentar a produção, ajudar no combate à inflação, fazer caixa para o enorme programa de investimentos, servir de alavanca para a indústria nacional de fornecimentos e, ainda, contribuir decisivamente para as contas públicas de Estados e municípios, com polpudos pagamentos de royalties.
          Artigo de Celso Ming, publicado na sua coluna no Estadão

Veja mais em
http://blogs.estadao.com.br/celso-ming/2013/02/06/areia-demais/
e em
           http://tinyurl.com/aq6uck3

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

A Petrobras e o “entreguismo” de Serra

Transformando uma notícia velha em falso escândalo

Mau jornalismo

Achei essa matéria da Folha de Maringá[1] toda muito confusa. O que significa "entregar o pré-sal aos americanos"? Serra fala em reverter ao modelo de concessões, vigente desde 1997.  E a suposta fonte dos telegramas é a embaixada americana ou o consulado no Rio (a matéria confunde as duas coisas)? Além disso, esta é uma notícia velha, de 2010 (http://www1.folha.uol.com.br/fsp/poder/po1312201002.htm)
e está sendo repercutida agora provavelmente para desviar a atenção dos fracassos da Petrobras, cujos resultados foram negativos, cujas ações perderam metade do valor e que não dá conta de abastecer o país.
O chamado modelo de partilha de produção para a exploração do petróleo da camada pré-sal estabelece que essa empresa estatal  - aparelhada pelo partido do governo  -  será a operadora de todos os blocos contratados no pré-sal!

Os dois  modelos: concessão e partilha 

O "modelo antigo" apresentado como entreguista é o de concessões, vigente desde 1997, e que proporcionou um salto nos recursos arrecadados pela União com o petróleo.
No novo modelo, em lugar da concessão existe a partilha, onde a Petrobras fica com 30% do óleo e se encarrega da operação (confesso que não entendo como, pois a empresa se descapitaliza a olhos vistos e não tem capacidade nem para abastecer o mercado).
“O texto [do modelo novo] estabelece um percentual de royalties em montante correspondente a quinze por cento da produção de petróleo ou gás natural; já o pagamento de participação especial, previsto na proposição original, não mais consta do texto aprovado.
Assim sendo, a participação do estado na renda petrolífera pode ser, até mesmo, menor que a decorrente do atual modelo de concessão, estabelecido pela Lei nº 9.478/1997 e pelo Decreto nº 2.705, de 3 de agosto de 1998.”

Operadora exclusiva

Pelo novo modelo, a Petrobras se torna a operadora exclusiva dos contratos de partilha para a extração do petróleo no pré-sal  e áreas estratégicas. A empresa também terá uma participação mínima de 30% em todas as áreas licitadas. 
"Estima-se que a exploração dessas áreas exigirá recursos financeiros superiores a US$ 1 trilhão. Mantida a exigência dessa participação, seriam necessários investimentos de, no mínimo, US$ 300 bilhões pela Petrobras. Esses investimentos podem, até mesmo, inviabilizar a celebração de contratos de partilha, pois a Petrobras já está absolutamente comprometida com a exploração de vários reservatórios já descobertos em áreas concedidas (...).
Apenas em reservatórios já descobertos no Pré-Sal, onde a Petrobras lidera a maioria dos consórcios, deverão ser produzidos mais de 50 bilhões de barris nas próximas três décadas. Para uma empresa que tem reservas de cerca de 14 bilhões de barris, o desafio de produzir essas áreas concedidas e não concedidas já é muito grande.
Alguém acredita que a Petrobras terá capacidade financeira e operacional para dar conta desse desafio?  Estamos mal se ficarmos nas mãos desse tipo de "operadora exclusiva".  Deixar toda a produção de petróleo na mão de uma estatal incompetente é o mesmo que condenar o Brasil à eterna dependência do combustível importado.


O monopólio

Na legislação brasileira, tanto o anterior modelo de concessões (ao qual o Serra é “ acusado” de querer voltar, como se isso fosse um crime) quanto o agora aprovado modelo de partilha pelo Congresso já haviam acabado com o monopólio da Petrobras.
 Vejam o que diz o governop petista (n a cartilha do Ministério de Minas e Energia) sobre o assunto:
" Tanto o modelo de partilha, quanto o de concessão permite a participação de empresas privadas na exploração e na produção. Na área do Pré-Sal, considerando que a Petrobras é uma empresa estatal, comprometida com o desenvolvimento do País, com largo conhecimento técnico para a operação em águas profundas e descobridora dessas importantes riquezas, a ela foram concedidas algumas prerrogativas e obrigações. No entanto, nada que se aproxime do retorno ao monopólio da empresa."



[1] http://www.folhademaringa.com.br/wikileaks-psdb-prometeu-entregar-o-pre-sal-aos-norte-americanos/

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Alerta educacional


 20% dos jovens britânicos de 15 anos são “funcionalmente analfabetos”.
 Para o Primeiro Ministro David Cameron, o país precisa de um “retorno ao elitismo” e de “uma completa intolerância em relação ao fracasso” em suas escolas.

A Grã-Bretanha está em estado de alerta educacional. Um estudo do Fórum Econômico Mundial[1] revela que o país está em 43º lugar no ranking escolar nas áreas de matemática e ciências, atrás da Albânia e de países como o Iran, Trinidad e Tobago ou Lituânia.

Segundo matéria publicada hoje no jornal Daily Mail[2], o fracasso se deve à política educacional do governo trabalhista, apesar da ênfase atribuída por este ao tema e ao volume de recursos destinados ao setor. As despesas com educação praticamente dobraram naquele período, de 36 bilhões de libras para 71 bilhões.

O fracasso não se deveria, portanto, à falta de recursos, mas ao abandono das exigências em relação ao desempenho, que passaram a ser consideradas “elitistas”.

O desempenho dos estudantes britânicos não é baixo apenas em matemática e ciências: um recente relatório do OCDE mostrou que 20% dos jovens de 15 anos são “funcionalmente analfabetos” no país.

Para o atual Primeiro Ministro, David Cameron, a Grã-Bretanha deve aumentar seus padrões, para competir com as economias emergentes da Índia e da China – o Brasil, sintomaticamente, não é nem mencionado.

Para Cameron, o país precisa de um “retorno ao elitismo” e de “uma completa intolerância em relação ao fracasso” em suas escolas. “Qualquer complacência será fatal para nossa prosperidade”. A reforma da educação é vital para “recuperar nossa sociedade rompida”, segundo o ministro.

“Queremos criar um sistema educacional baseado em real excelência; precisamos ser ambiciosos se quisermos competir no mundo” – são afirmações esperadas de um discurso que Cameron fará hoje num encontro de “escolas livres” – escolas públicas dirigidas pela iniciativa privada, por Ongs ou pelos pais.

Na lista do Fórum Econômico Mundial Singapura tem o primeiro lugar em educação, seguida da Bélgica e da Finlândia. A Nova Zelândia é o sétimo, Canadá o oitavo; França 15º, Bósnia e Herzegovina 41°.

O Brasil
Posição do Brasil no relatório do Fórum Econômico Mundial
No mesmo relatório, a situação do Brasil no ranking geral de competitividade melhorou cinco posições (está em 53º na classificação geral dos 142 países), mas vários fatores são apontados que comprometem o pleno aproveitamento de nosso enorme potencial de competitividade. Entre eles, “a baixa qualidade geral do nosso sistema educacional”: estamos em 115° lugar neste quesito. Pior do que isso, em “ qualidade da educação em matemática e ciências”, o Brasil está no 127° lugar!

O sinal vermelho que se acende na Grã-Bretanha vale portanto, com muito maior razão, também para nós. Se quisermos ser competitivos numa economia mundial cada vez mais sofisticada, temos de levar a sério os desafios da nossa educação.
Mas quando o próprio material escolar distribuído pelo MEC contém erros grosseiros de aritmética (http://rexpublica2010.blogspot.com/2011/06/10-34.html), podemos ver que o tamanho desses desafios não é pequeno!

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