Andei pesquisando sobre a imagem do Congresso (Parlamento, Legislativo Nacional, Knesset) no Brasil e no mundo.
No Brasil, todos podem adivinhar o que deu: confiança muito baixa, avaliação altamente negativa. A série DataFolha está aí para quem quiser conferir. Mas o que me chamou a atenção foi outra coisa: o fato de que as variações dessa opinião negativa não são amplas.
Seja em períodos de escândalos, seja em períodos em que o Congresso deveria estar de bem com os cidadãos, por ter produzido ou estar debatendo importantes leis de interesse geral, a opinião pública não varia muito. Ao longo de 10 anos, pouco se afastou do patamar dos meros 15% de ótimo/bom contra os 40% em torno dos quais giram as médias de regular e ruim/péssimo.
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| Imagem do Congresso-Série DataFolha |
Isto faz pensar em alguma tendência mais profunda, resultado de um conjunto de causas estruturais que precisam ser investigadas.
A primeira ideia que tive foi de olhar como são as coisas no resto do mundo. E para minha surpresa, constatei que a situação é muito semelhante, seja na América Latina, seja na Europa, nos Estados Unidos ou em Israel. Em Israel, o Knesset determinou a realização de um profundo estudo, ao descobrir, em 2001, que só 14% dos entrevistados manifestava muita ou total confiança no Parlamento. E o estudo descobriu que em praticamente todo o mundo a situação é a mesma.
Não vou sobrecarregar esta conversa com montes de tabelas, mas esses resultados são tão generalizados que no mundo inteiro já se fala há um bom tempo de uma “crise da representação”. Ora, mesmo considerando que o tempo histórico tem outro ritmo, uma “crise” seria um problema agudo, uma ruptura, algo que só pode ser entendido contra o pano de fundo de uma situação de normalidade ou de equilíbrio. Só que, neste caso, a crise se prolonga tanto que já não há mais referência àquela relação ideal, a ser restabelecida.
Primeiro problema: será que essa situação ideal alguma vez existiu? Representados e representantes em perfeito (ou pelo menos razoável) acordo, confiantes e felizes uns com os outros? Já em 1774 o inglês Edmund Burke achou importante se dirigir aos eleitores de Bristol para lembrar que