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segunda-feira, 30 de março de 2015

Renato Janine Ribeiro e a astronomia



A análise de Janine sobre as teorias planetárias, no contexto do artigo "Será que desejamos o impossível" (http://www.valor.com.br/politica/3955256/sera-que-desejamos-o-impossivel ), parece querer conferir a este o aval de uma abordagem "científica". Mas ela é primária e está incorreta.

Do ponto de vista da observação, feita a partir da Terra, o comportamento dos planetas sempre aparecerá como errático, irregular, com "paradas" e retrogradações, seja qual for a teoria usada para explicá-lo. Do ponto de vista teórico, todas as explicações procuram traduzir essas irregularidades mediante uma composição de movimentos regulares.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Mais uma punhalada nas costas


Da revista Exame (http://exame.abril.com.br/brasil/politica/noticias/quao-proximos-estao-lula-e-rosemary-novoa):

São Paulo – Nos últimos dezenove meses, a Polícia Federal gravou nada menos que 122 telefonemas entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Rosemary, ex-chefe de gabinete em SP, como parte da Operação Porto Seguro, que investiga a existência de um esquema de corrupção para favorecer grupos empresariais.

A ex-chefe de escritório foi exonerada [ "a pedido", diga-se de passagem] por Dilma Rousseff após a Polícia Federal ter registrado que ela recebia uma série de vantagens (desde plásticas até cruzeiros com duplas sertanejas) para participar de uma quadrilha que obtinha laudos fraudulentos de órgãos públicos. Dilma ainda extinguiu a chefia de gabinete da Presidência em São Paulo, e toda coordenação do escritório paulista será feita em Brasília.
(...)
Um indício de proximidade entre o ex-presidente e Rosemary durante o governo Lula pode ser visto no passaporte que ex-assessora tinha. O dela era vermelho, característica dos “superpassaportes”, ou passaportes diplomáticos, que são destinados a pouquíssimas autoridades e emitidos pelo Ministério das Relações Exteriores para alguns cargos ou através de pedidos especiais.
Rosemary teve um e, com ele, tinha garantido acesso a fila de entrada separada nos aeroportos e dispensa de vistos para ir aos países onde eles são exigidos. Foi com esse passaporte que, entre 2007 e 2010, ela viajou com Lula, então presidente da República, para 23 países, segundo levantamento da Folha de S. Paulo.

Detalhes:
- O ex-marido de Rosemary,  José Claudio de Noronha era empregado na Infraero e membro do conselho de administração da Brasilprev, empresa de previdência privada que tem o BB como sócio, e a filha era empregada na Anac
-Lula se considerou, mais uma vez, "apunhalado pelas costas" diante do escândalo.


quarta-feira, 5 de outubro de 2011

PróPropina

Programas federais nascem e morrem (ou agonizam inertes) sem deixar resultados. Mas o dinheiro escorre para os bolsos dos amigos do povoA crônica é do Augusto Nunes, os dados são do TCU.


05/10/2011
 às 1:03 \ Direto ao Ponto

O porão dos fracassos insepultos   

Sempre lançados com pompas, fitas e discurseira, sempre atribuídos ao brilho incomparável do inventor do Brasil Maravilha, programas e projetos federais nunca morrem oficialmente. Nunca  ─ nem mesmo quando viram cadáveres em adiantado estado de decomposição.

É o caso do Fome Zero, do Primeiro Emprego, do PAC da Copa, do PAC da Olimpíada, do Segundo Tempo ou do terceiro aeroporto de São Paulo. Morreram de inépcia, de corrupção, de inoperância, de politicagem, ou da soma dessas moléstias tropicais. Mas permanecem no porão dos fracassos insepultos, para que os brasileiros que pagam todas as contas não enxerguem os naufrágios que financiaram.
Na edição desta terça-feira, uma reportagem do Globo comprovou que a coleção de mortos-vivos foi ampliada pelo ProJovem. Nascido em 2007, o programa foi apresentado pelo presidente Lula ─ escoltado pelos ministros Fernando Haddad, Carlos Lupi e, claro, Dilma Rousseff ─ como a salvação dos moços à procura de escola e emprego. Passados quatro anos, o Tribunal de Contas da União fez um balanço do desastre retumbante. Ainda incompleto, é desoladoramente repulsivo. Variadas formas de ladroagem engoliram a maior parte da verba de R$ 3 bilhões. O número de jovens atendidos é insuficiente para eleger um deputado em Roraima. Em vez de providenciar-lhe um enterro cristão, o governo promete ressuscitar o morto em 2012. Com injeções de dinheiro, naturalmente.
Os corruptos não perdem o apetite, confirma o texto reproduzido na seção Feira Livre. Os brasileiros honestos é que precisam perder a paciência com a impunidade dos ladrões.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

No Brasil não há interesse em deixar investigar

Justiça anula provas contra Sarney
(Deu no Estadão, e não requer comentários)

Fausto Macedo
Delegados da Polícia Federal se declaram perplexos com a decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que mandou anular as provas da Operação Boi Barrica. Os delegados consideram que o Judiciário se curva ante investigados que detêm poderes político e econômico.
Operação Boi Barrica da PF investigou suspeitas de crimes cometidos pela família de José Sarney - Andre Dusek/AE
Andre Dusek/AE
Operação Boi Barrica da PF investigou suspeitas de crimes cometidos pela família de José Sarney
Eles temem que outras operações de grande envergadura poderão ter o mesmo fim a partir de interpretações de ministros dos tribunais superiores que acolhem argumentos da defesa.

Foi assim, antes da decisão que tranca a Boi Barrica, com duas das principais missões da PF, deflagradas em 2008 e em 2009, a Satiagraha e a Castelo de Areia - ambas miravam empresários, políticos e até banqueiro.
"A PF não inventa, ela investiga nos termos da lei e sob severa fiscalização", disse o delegado Marcos Leôncio Sousa Ribeiro, diretor de Assuntos Parlamentares da Associação Nacional dos Delegados da PF.
"No Brasil não há interesse em deixar investigar", afirma Leôncio. "As operações da PF são executadas sob duplo grau de controle, do Ministério Público Federal, que é o fiscal da lei, e do Judiciário, que atua como garantidor de direitos. Não existe nenhum país no mundo que a polícia sofre essa dupla fiscalização."
"Aí uma corte superior anula todo um processo público com base em que? Com base no 'ah, não concordo, a fundamentação do meu colega que decidiu em primeiro grau não é suficiente'. Nessa hora não importa que os fatos são públicos e notórios e que não há necessidade sequer de se ficar buscando uma prova maior."

domingo, 28 de agosto de 2011

Segunda dentição

Chegando ao Brasil, deparei com o comentário da coluna do Cláudio Humberto, mostrando que as "mudanças" no DNIT não passam de cortina de fumaça.


Um amigo me explicou: isso é como os dentes de tubarão. São três fileiras: quando a primeira cai, a segunda vem para a frente, e tudo continua na mesma!

Como dizem os franceses, "plus ça change, plus ça devient la même chose".


Vale a pena transcrever o Cláudio Humberto:

Logo após se submeterem a "sabatina" no Senado, ontem, três novos diretores do DNIT - Paulo Tarso de Oliveira, Adão Proença e Mário Dirani - foram comemorar com quem continua mandando, apesar das aparências: Luiz Antônio Pagot, defenestrado da direção-geral após denúncias de ladroagem no órgão. Almoçaram aos cochichos e muitas risadas, na mesa 23 do restaurante do Senado. Pareciam comemorar.

Para inglês ver
A celebração no restaurante faz o Senado perceber o uso da Casa para oficializar uma "mudança" que na verdade pode ser de araque.

Trio Pagot
Paulo Tarso será diretor de Administração e Finanças, Adão Proença, de Infraestrutura Aquaviária, e Mário Dirani de Infraestrutura Ferroviária.

Quem escolheu
Servidores de carreira, os três foram indicados pelo ministro Paulo Passos (Transportes) e o PR, que ainda controla 17 superintendências. 

sábado, 9 de julho de 2011

Herança maldita

O Estadão conta um pouco da história da corrupção no Ministério dos  Transportes

Lula não só uniu em torno de si a escória política nacional, como permitiu-lhe frequentar sem embaraço os cofres federais.


(...) O Ministério dos Transportes, terreno de onde jorra lama onde quer que se perfure, foi cedido pelo então presidente Lula, ainda no seu primeiro mandato, ao PL do vice José Alencar. A legenda veio a se chamar PR depois da fusão com o Prona. Pelo ingresso de Alencar na chapa, o PT, presidido pelo deputado José Dirceu, pagou R$ 10 milhões ao PL controlado pelo colega Valdemar Costa Neto. Eles se reuniram a poucos metros de onde Lula e Alencar se entendiam.

Réu do mensalão, Costa Neto renunciou para não perder o mandato. Reeleito, segue sendo o capo do PR presidido por Nascimento. "Despachava" com empreiteiros no gabinete do ministro. Disputa com outros figurões da base a condição de encarnar o acervo mais representativo da herança maldita que a presidente recebeu do seu mentor. Lula não só uniu em torno de si a escória política nacional, como permitiu-lhe frequentar sem embaraço os cofres federais.

Dilma e Alfredo
Sabe-se hoje que sua ministra da Casa Civil não estava pisando nos astros, distraída, enquanto se perpetrava o assalto ao trem pagador do Ministério dos Transportes. Já não vem ao caso imaginar o que ela fez ou deixou de fazer pelo patrimônio público posto ao alcance dos lobos. Mas dois fatos atuais não podem ser deixados de lado. Um é que, ao assumir a Presidência da República, prometeu ser implacável com a corrupção. O outro é que a corrupção continuou solta e pesada nos Transportes até que a imprensa a expusesse.

Nessa hora, no fim da semana passada, a presidente teve a chance histórica de iniciar uma cirurgia radical na pasta para livrar-se da "herança maldita". Em vez de aproveitá-la, preferiu manter o ministro e entregar-lhe a apuração das traficâncias praticadas a um palmo do seu nariz. Depois, em zigue-zague, mandou suspender as licitações por ele aprovadas, enquanto as ministras da Casa começavam a tratá-lo como um morto-vivo.

A presidente, em suma, deixou passar a primeira hora da verdade da sua gestão. A segunda já ressoa pela voz dos dirigentes do PR que não abrem mão do seu feudo e advertem que Dilma terá de se entender com o caído Nascimento para a escolha do sucessor.

Se ela sucumbir à chantagem, já não fará muita diferença para a sua imagem se convidar de uma vez para o cargo o próprio Valdemar Costa Neto.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

A ponte mais cara do mundo


Da coluna do Augusto Nunes

04/07/2011
 às 19:03 \ Direto ao Ponto

Na China, a nova ponte do Rio Guaíba seria o caminho mais curto entre o Ministério dos Transportes e a penitenciária



Mas no Brasil o Ministério dos Transportes está arrendado ao PR,
 financiado por propinas, barganhas e permutas ilegais


Há uma semana, o governo da China  inaugurou a ponte da baía de Jiaodhou, que  liga o porto de Qingdao à ilha de Huangdao. Construído em quatro anos, o colosso sobre o mar tem 42 quilômetros de extensão e custou o equivalente a R$2,4 bilhões.
Há uma semana, o DNIT escolheu o projeto da nova ponte do Guaíba, em Ponte Alegre, uma das mais vistosas promessas da candidata Dilma Rousseff. Confiado ao Ministério dos Transportes, o colosso sobre o rio deverá ficar pronto em quatro anos. Com 2,9 quilômetros de extensão, vai engolir R$ 1,16 bilhão.
Intrigado, o matemático gaúcho Gilberto Flach resolveu estabelecer algumas comparações entre a ponte do Guaíba e a chinesa. Na edição desta segunda-feira, o jornal Zero Hora publicou o espantoso confronto númerico resumido no quadro abaixo:
Os números informam que, se o Guaíba ficasse na China, a obra seria concluída em 102 dias, ao preço de R$ 170 milhões. Se a baía de Jiadhou ficasse no Brasil, a ponte não teria prazo para terminar e seria calculada em trilhões. Como o Ministério dos Transportes está arrendado ao PR, financiado por propinas, barganhas e permutas ilegais, o País do Carnaval abrigaria o partido mais rico do mundo.
Depois de ter ordenado o afastamento dos oficiais, aí incluído o coronel do DNIT, Dilma Rousseff parece decidida a preservar o general. “O governo manifesta sua confiança no ministro Alfredo Nascimento”, avisou nesta segunda-feira uma nota da Presidência da República. “O ministro é o responsável pela coordenação do processo de apuração das denúncias feitas contra o Ministério dos Transportes”. Tradução: em vez de demitir o chefe mais que suspeito, Dilma encarregou-o de  investigar os chefiados.
Corruptos existem em qualquer lugar. A diferença é que o Brasil institucionalizou a impunidade. Se tentasse fazer em outros países uma ponte como a do Guaíba, Alfredo Nascimento e seus parceiros saberiam que o castigo começa com a demissão e termina na cadeia.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Leviatã

Do Delfim Neto, na Folha de hoje:
"Com toda evidência, o principal problema não é propriamente a alta carga tributária, mas o uso bastante ineficiente que se faz dela. Temos um Estado pesado, burocratizado, nepotista, lento e ideologicamente aparelhado, que se alimenta de uma centralização do poder frequentemente excessiva.
Se fosse necessária uma "prova" disso, bastaria lembrar que, nos últimos 16 anos, o PIB cresceu  57%, enquanto o PIB apropriado e distribuído pelo governo (graças ao aumento do PIB e ao aumento da carga tributária) cresceu 94%, e o apropriado pelo setor privado, 42%."
É isso aí. O que dói não é tanto pagar esse monte de impostos: é ver o suor do nosso trabalho ir pelo ralo da incompetência e da corrupção.