Mostrando postagens com marcador Congresso. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Congresso. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Obstáculos à representação no Brasil: a Câmara dos Deputados:

Duas ordens de dificuldade afetam particularmente a representação do cidadão individual pelos deputados eleitos para o legislativo federal, especialmente no caso da Câmara dos Deputados. 
A primeira, de ordem territorial, demo-geográfica: as imensas distâncias e a grande população de um país continente afetam diretamente a proximidade entre os 513 deputados federais brasileiros
 e seus eleitores nos estados de origem. 
A segunda grande dificuldade é de ordem institucional: o próprio sistema eleitoral dificulta ao eleitor o acesso e até mesmo a identificação de seu representante na Câmara federal.


A distância geo-demográfica

Para um país do tamanho do Brasil,
513 deputados não é demais
Para que se tenha uma noção concreta da relevância deste fator para o tema da representação, uma comparação com a situação portuguesa pode ser esclarecedora. Portugal, com uma população de algo mais de 10 milhões de habitantes e um território de cerca de 92 mil km², conta com 230 deputados na Assembléia da República. 

Por sua população, Portugal é comparável ao estado brasileiro do Rio Grande do Sul, com seus 10 milhões e 200 mil habitantes. As diferenças, no entanto rapidamente se fazem sentir: o território do estado é significativamente maior que o de Portugal, mas a sua cota de deputados federais é de apenas 31 (trinta e um)! 

Se em Portugal cada deputado representa em média 47 mil eleitores, um deputado gaúcho deve representar 330 mil, espalhados por um território mais de duas vezes maior. 

Das grandes cidades continentais portuguesas, a que está mais longe da capital é o Porto:320 km. A cidade mais afastada da capital do estado do RGS, Barra do Quaraí, fica a 717 km de Porto Alegre. E Porto Alegre, por sua vez, está a 2119 km de Brasília, capital federal e sede da Câmara dos Deputados. 

O sistema eleitoral como obstáculo institucional

O sistema eleitoral brasileiro torna difícil, ou praticamente impossível, ao eleitor “ter um representante para chamar de seu” – isto é, o sistema eleitoral impede uma identificação direta eleitor/representante.

Deputados federais são eleitos, no Brasil, pelo voto proporcional. A circunscrição eleitoral é o estado inteiro. Não há listas partidárias ordenadas: o partido inscreve seus candidatos, e o eleitor pode escolher um candidato de qualquer partido, votar na legenda partidária sem escolher um nome, votar em branco ou anular seu voto. 


Embora obrigatório o comparecimento eleitoral, o índice de abstenção costuma ser expressivo, entre 18 e 20%. Dividindo-se os votos válidos (não brancos ou nulos) pelo número de cadeiras atribuído ao estado, obtém-se o quociente eleitoral, que é o número de votos necessário para eleger um deputado naquele estado.

Dados das últimas eleições para deputado federal (2010) mostram que:


  • O índice nacional médio de abstenção foi de 18,1%;
  • Para a Câmara, 6,8% dos votos foram brancos e 6,4% nulos;
  • Somente 35 candidatos (6,8% do total) conseguiram atingir o Quociente Eleitoral, ou seja foram eleitos apenas com votos recebidos por eles mesmos;
Do total de votos computados, apenas 19,9% (aprox. 20%) foram nominais e destinados a candidatos eleitos. Os 80,1% restantes foram votos de legenda, diluindo-se para conformar os coeficientes, ou foram dados nominalmente a candidatos que não conseguiram se eleger. Isto é, a cada cinco votos válidos, quatro não foram para candidatos eleitos. 

Alguns exemplos evidenciam certas distorções típicas desse sistema eleitoral. No Rio Grande do Sul a candidata Luciana Genro, do PSOL (partido novo, de esquerda, oriundo do PT), teve praticamente 130 mil votos e não se elegeu. Já o PDT (Partido Democrático Trabalhista), no mesmo pleito, elegeu no estado um deputado com menos de 30 mil votos.

Nacionalmente, as coligações continuam a produzir resultados estranhos. Em São Paulo: na coligação que reuniu PT, PR, PCdoB, PTdoB e PRB, o palhaço Tiririca (com o lema “Vote em Tiririca, pior do que tá não fica”) elegeu mais três deputados e meio com sua votação de 1,3 milhão de votos. Tiririca ajudou a eleger candidatos de três partidos diferentes: Otoniel Lima (PRB), Vanderlei Siraque (PT) e Protógenes Queiroz (PCdoB). Lima teve 95,9 mil votos , Queiroz 94,9 mil e Siraque 93,3 mil - número menor do que o de outros 10 candidatos, todos eles do PSDB ou DEM.

Critica-se frequentementte, na imprensa, o eleitor brasileiro por sua “falta de memória”, pois ao ser inquirido, algum tempo depois das eleições sobre o deputado em quem votou, a maioria declara que não se lembra. Na verdade, essa suposta falta de memória .é uma falta de representação. A grande maioria dos eleitores ou não votou para deputado federal (abstenções + votos em branco + votos nulos = 31,3 %), ou não escolheu um candidato (votou na legenda partidária) ou votou em algum candidato que não se elegeu, como vimos acima, em (d).

O fato não é, portanto, que o eleitor não lembra quem é o seu deputado, mas sim que ele não sabe quem é esse seu representante, ou simplesmente não tem um representante que possa chamar de seu.

Desafios

Há, já no ponto de partida da democracia brasileira, uma clara opção pela democracia participativa e pela cidadania ativa. Tais conceitos estão inscritos como valores no discurso de todos os partidos e na própria Constituição Brasileira, embora seu exercício deixe muito a desejar na prática. Seja como for, colocam-se para a sociedade brasileira e para a sua elite política os desafios correlatos do exercício da representação dos interesses múltiplos e complexos de uma sociedade que tem a participação como valor mas ainda engatinha na sua efetiva concretização. E isso passa tanto pela reformulação do sistema político e das regras eleitorais quanto por profundas transformações na educação, na cultura e na ética políticas de todos os atores do processo democrático. 

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Plebiscito ou referendo?

Segundo o ministro aposentado do STF, Carlos Ayres Brito, “no referendo, o Congresso Nacional já apresenta ao povo um projeto de lei completo, com todo o conteúdo, é um cheque preenchido, inclusive assinado. O povo apenas endossa ou deixa de endossar este cheque. E em um plebiscito o povo passa um cheque em branco para o Congresso Nacional. Ele diz sim ou não sobre determinada matéria, porém tudo mais fica a critério do Congresso Nacional. Eu prefiro o referendo ao plebiscito”, declarou Brito.

http://tinyurl.com/p5xr2ps


Um caminho sensato

O Congresso, a presidência, ou ambos poderiam abrir um período de intenso diálogo com a sociedade, ouvindo as vozes que insistentemente vêm se manifestando e encontrando ouvidos moucos ou balas de borracha: a sociedade organizada, os movimentos sociais, os jovens das passeatas e das ruas. O que eles querem? O que eles sugerem? O que pode ser mudado?

Diante disso, o Congresso e a presidência formulem uma proposta de reforma política, expliquem as mudanças de forma inteligível, e aí sim, se for o caso, a submetam a consulta popular. Isso feito, que o Congresso aprove o que for aprovado pela sociedade - mediante legislação comum ou reforma constitucional - e estamos conversados!

terça-feira, 25 de junho de 2013

Tudo o que é sólido desmancha no ar


Não existe "Constituinte exclusiva"

Já temos uma Constituição
A pior saída que a presidente encontrou para responder à demanda popular por melhores instituições políticas foi essa desastrada proposta de ... o que mesmo? "Um debate sobre a convocação de um plebiscito popular que autorize um processo constituinte específico para fazer reforma política que o país tanto necessita", nas palavras dela.

Tudo errado. Enquanto a nossa atual Constituição estiver em vigência, quem convoca um plebiscito não é "um debate", nem a presidente. Essa é uma prerrogativa exclusiva do Congresso Nacional (CF, art 49, item XV).

Outro equívoco: não existe "Constituinte específica, ou exclusiva". Uma Constituinte, uma vez instalada, pode tudo, inclusive anular ou modificar as chamadas cláusulas pétreas. Essas são imunes às alterações por meio de reforma - mas uma nova Constituinte pode sim mexer nelas. 

Imaginem a insegurança política que uma tal situação acarretaria. A extrema direita tentaria de todas as formas aprovar legislações que restringiriam conquistas e direitos trabalhistas, ambientais ou até os direitos humanos. Por que não, por exemplo, aproveitar para instaurar a pena de morte? A sociedade não aguenta mais essa criminalidade... Ou acabar com a CLT?

A esquerda tresloucada, por sua vez, poderia por exemplo ver aí uma ótima oportunidade de seguir o caminho 'bolivariano', e instituir a possibilidade de mandatos presidenciais indefinidamente renováveis. O país passaria por um período de confrontos e divisões totalmente desnecessário e indesejável... 

Vejamos agora a solução proposta por outro jurista. Se a presidente quiser mesmo insistir no plebiscito e na "Constituinte exclusiva", o caminho é complicado. O Congresso precisa aprovar uma reforma constitucional para permitir esse tipo de convocação e criar a figura (hoje inexistente) de uma constituinte com poderes limitados. A única diferença de aprovar diretamente a própria reforma política é que o tortuoso caminho proposto por Dilma pode tornar todo o processo ainda mais lento e imprevisível.

O que fazer, então? O Congresso, a presidência, ou ambos poderiam abrir um período de intenso diálogo com a sociedade, ouvindo as vozes que insistentemente vêm se manifestando e encontrando ouvidos moucos ou balas de borracha: a sociedade organizada, os movimentos sociais, os jovens das passeatas e das ruas. O que eles querem? O que eles sugerem? O que pode ser mudado? 

Diante disso, o Congresso e a presidência formulem uma proposta de reforma política, expliquem as mudanças de forma inteligível, e aí sim, se for o caso, a submetam a consulta popular. Isso feito, que o Congresso aprove o que for aprovado pela sociedade - mediante legislação comum ou reforma constitucional - e estamos conversados!

Brasília, 23 de junho de 2013.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Anti-candidatura no Senado

O senador Pedro Taques (PDT-MT) fez discurso de cerca de 15 minutos na sexta-feira (1º/02/13) para afirmar sua "anticandidatura" à presidência da Casa. A vitória do peemedebista Renan Calheiros, que responde a diversas acusações na justiça, parece inevitável.

Integra do pronunciamento do senador Pedro Taques:

Sr. Presidente, senhoras senadoras, senhores senadores. Cidadãos que nos acompanham pela TV e Rádio Senado. Amigos das redes sociais,

É como um perdedor que ocupo hoje esta tribuna. Venho como alguém a quem a derrota corteja: certeira, transparente, inevitável, aritmética. Sou o titular da perda anunciada, do que não acontecerá.

Mas o bom povo de Mato Grosso não me deu voz nesta Casa para só disputar os certames que posso ganhar, mas para lutar, com todas as minhas forças, as batalhas que forem justas. Sigo o exemplo do apóstolo Paulo, também um perdedor, degolado em Roma por levar a mensagem do Cristo: quero poder dizer a todas as pessoas que combati o bom combate.

As palavras dos vitoriosos são lembradas. Seus feitos, realçados. Sua versão, tende a se perenizar. O sorriso do orgulho lhes estampa a face, tantas vezes, antes mesmo de vencerem. E nem sempre se pergunta que vitória foi esta que obtiveram. Será a vitória do Rei Pirro, que bateu os romanos na Batalha de Heracleia (280 A.C.) e olhando desconsolado para suas tropas destroçadas, disse que "outra vitória como aquela o arruinaria"? Será a vitória do Marechal Pétain, que ocupou o poder numa França emasculada pelos nazistas, traindo o melhor de sua gente? Será a vitória sem honra dos alemães diante do levante de Varsóvia?

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

A crise da representação (3)

A Câmara dos Deputados e os desafios da representação política no Brasil


Trabalho apresentado em Lisboa, no Colóquio Internacional 
Cidadania na Sociedade do Conhecimento (CFCUL)
3 de dezembro de 2013

As relações entre os conceitos de democracia, participação, representação e cidadania são intrincadas, e comportam pelo menos duas vertentes básicas. Uma vez afastada, até por motivos práticos, a possibilidade de uma democracia direta à moda ateniense, restam as alternativas da democracia representativa e da democracia participativa, com as diversas combinações que elas admitem na prática. Há quem defenda tanto a máxima extensão da participação dos cidadãos nos assuntos políticos, como também os que consideram que um excesso de tal participação pode resultar num agravamento dos conflitos sociais, sem trazer contribuições capazes de resolvê-los ou pelo menos mitigá-los.[1]

 No caso brasileiro, que nos interessa no momento, há, já no ponto de partida, uma clara opção pela democracia participativa e pela cidadania ativa. Tais conceitos estão inscritos como valores no discurso de todos os partidos e na própria Constituição Brasileira, embora seu exercício deixe muito a desejar na prática. Seja como for, colocam-se para a elite política os desafios correlatos do exercício da representação dos interesses múltiplos e complexos de uma sociedade que tem a participação como valor porém ainda engatinha na sua efetiva concretização.

Duas ordens de dificuldade afetam particularmente a representação do cidadão individual[2] pelos deputados eleitos para o legislativo federal, especialmente no caso da Câmara dos Deputados. A primeira, de ordem territorial, demo-geográfica: as imensas distâncias e a grande população de um país continente afetam diretamente a proximidade dos 513 deputados federais brasileiros com seus eleitores nos estados de origem. A segunda grande dificuldade é de ordem institucional: o próprio sistema eleitoral dificulta ao eleitor o acesso e até mesmo a identificação de seu representante na Câmara Federal.

terça-feira, 20 de março de 2012

A Câmara que queremos em 2023

Pesquisa da Câmara dos Deputados, realizada em finais do ano passado, ouviu deputados, cientistas políticos, jornalistas, servidores da Casa e o público em geral sobre suas expectativas em relação à Câmara dos Deputados no longo prazo. O ano de 2023 foi escolhido como referência porque naquela data o parlamento brasileiro completará 200 anos.

 Nos links abaixo, matérias da TV e da Agência Câmara sobre os resultados dessa enquete, realizada sob todas as condições de controle científico porém sem representatividade estatística, pois não se baseou em amostra aleatória da população (o que teria elevado os custos e alongado o prazo além do razoável face ao objetivo proposto, que era o de orientar o planejamento estratégico da Casa).

Alguns destaques:
Fiscalização e leis efetivas
Conforme a analista legislativa Rejane Xavier, responsável pela realização da pesquisa, a enquete também revelou que a sociedade espera da Câmara um controle efetivo do uso dos recursos públicos, seja por meio de ações de caráter preventivo como de caráter punitivo. Os entrevistados também manifestaram a expectativa de que os trabalhos legislativos sejam mais eficientes. Espera-se que sejam criados mecanismos para a revisão das leis e para a revogação daquelas que não tenham mais sentido ou eficácia e que “entulham” o ordenamento jurídico.
Ética e trabalho
Rejane Xavier explica que alguns temas surgiram na pesquisa sem relação direta com as questões propostas. “Ética, honestidade, trabalho são valores que a população gostaria de encontrar na instituição e nos seus representantes”, diz a pesquisa. Na enquete, houve diversas menções espontâneas ao combate à corrupção, à ficha limpa e ao voto aberto entre as expectativas da população para a Câmara em 2023.

A Câmara que queremos em 2023: matéria da TV Câmara em 20/03/2012

Sociedade espera que a Câmara seja mais transparente e interativamatéria da Agência Câmara em 16/03/2012

Resumo da pesquisa

O que se espera da Câmara em 2023?  
As 15 alternativas mais votadas na pesquisa sobre  A Câmara que queremos em 2023
Organizando tematicamente as 15 opções mais destacadas pelo conjunto dos 1008 respondentes da pesquisa  (incluindo deputados, especialistas, servidores e população em geral), podemos visualizar  as grandes expectativas da sociedade em relação à Câmara dos Deputados: informações transparentes e acessíveis, interação qualificada com o cidadão, controle efetivo do uso dos recursos públicos, modernização da legislação e do processo legislativo.  
Os respondentes foram 44 deputados, 29 especialistas (cientistas políticos, economistas, jornalistas), 360 servidores da Câmara dos Deputados e 575 cidadãos (via internet).  A enquete ficou disponível na internet por um pouco menos de um mês, e o fato de que quase 600 cidadãos tenham se proposto a responder ao questionário de 60 perguntas revela um interesse bastante expressivo pela participação.  
Não se trata, como é obvio, de uma amostra representativa da sociedade brasileira. Mas apresenta um recorte significativo de uma parcela da população  que tem maior interesse pela política ou contato com a instituição.  
Os resultados revelam uma clara compreensão, por parte destes participantes, sobre os papéis institucionais da Câmara: representar, isto é “ouvir o cidadão e interagir com ele”; legislar  e fiscalizar,  de forma transparente, eficiente, efetiva e  eficaz.
Espera-se que a Câmara seja transparente (disponibilizando as informações de forma aberta),  acessível (facilitando o acesso e a compreensão do cidadão) e interativa (permitindo que o cidadão, além de se informar, possa também se manifestar e ser ouvido). 
A interação que denominamos qualificada com o cidadão é vista como função de um processo de educação política que leve a uma maior compreensão do papel do Legislativo e da atuação dos deputados.




Transparência, informação
Facilitar o acesso da sociedade às informações sobre a ação do Estado.

Aprimorar a forma como são tratadas e disponibilizadas as informações.

Aumentar a transparência por meio da maior disponibilização de dados abertos.

Acesso, interação com a Câmara
Captar melhor os anseios dos cidadãos.

Ampliar o acesso dos cidadãos aos canais de relacionamento da Casa.

Ampliar e aprimorar os meios para que todo cidadão que queira possa acessar a Câmara dos Deputados.


Educação política, compreensão do papel
Intensificar as ações que promovam a educação política dos atuais e futuros cidadãos.

Favorecer o entendimento e o acompanhamento da atuação dos deputados pelos eleitores.

Facilitar o entendimento dos cidadãos sobre o papel e o funcionamento da Câmara dos Deputados.

Controle efetivo, fiscalização
Coibir o mau uso de recursos públicos com ações de caráter preventivo.

Coibir o mau uso de recursos públicos propondo ações de caráter punitivo.

Melhorar as redes de controle com outros órgãos federais, como TCU, MPU, Banco Central e Receita Federal.

Modernização da legislação e do processo legislativo
Aumentar a eficiência dos processos de trabalho relacionados à atividade legislativa.

Aprimorar a discussão das proposições por meio da interação com os cidadãos.

Criar mecanismos para a revisão e a revogação das leis que não tenham mais sentido ou eficácia e que “entulham” o ordenamento jurídico.

Os 10 itens considerados de menor importância 

Considerado o conjunto dos respondentes, os 10 itens que obtiveram menor pontuação podem ser agrupados em três áreas:

Estrutura da Casa
  • Aprimorar a gestão de espaços físicos e infraestrutura.
  • Melhorar a segurança de pessoas e das instalações.
A estrutura da Casa foi considerada já satisfatória, especialmente pelo público em geral. Alguns comentários de cidadãos expressam essa percepção:
“Segurança já tem e é bem qualificada, aumentar custos com segurança não resolve”.
“Acho que já tem é muito espaço em Brasilia, tem muito predio vazio.”
“Entendo que a Câmara tem uma estrutura que atende as necessidade dos parlamentares, quanto a valorizar o corpo funcional já tem uma valorização suficiente. O que acho é que tanto os Deputados e uma grande maioria dos funcionários deveriam trabalhar mais como qualquer outro trabalhador, ou seja de segunda a sexta-feira.”

Atividades ‘externas’ 
  • Promover a cooperação técnica com outros parlamentos.
  • Estruturar a interação da Câmara dos Deputados com parlamentos nacionais e multilaterais (ex: Mercosul, Parlatino, Parlamento Europeu).
  • Intensificar a participação dos deputados nas ações diplomáticas de desenvolvimento global, solução de controvérsias e manutenção da ordem internacional.
  • Prover meios aos deputados para exercerem suas atribuições em qualquer lugar do País.
  • Apoiar a atuação do deputado junto às suas bases no estado.
A grande concentração de itens rejeitados nessa área mostra que a população deseja a presença dos parlamentares em Brasília. Segundo a visão predominante, é aí que deve se concentrar o trabalho dos deputados. Atividades fora de Brasília não são vistas como trabalho, segundo os cidadãos:
 “É da essência do trabalho legislativo o aperfeiçoamento, mas também é necessário que o Congresso Nacional funcione ininterruptamente, nao se admite que uma instituição deste porte permaneça aberto para assessores apenas e os deputados e senadores fiquem em suas bases.” 
“O deputado federal é eleito sabendo que deve cumprir expediente em Brasília. Imaginem se um deputado possar a "trabalhar" em qualquer lugar... aí sim, as "excelências" nunca porão os pés em Brasília.”
“O deputado pode exercer suas atividades em qualquer lugar do país já hoje. Existe Internet, vídeo conferência, celular e etc. Tem é que reduzir as viagens aéreas e aumentar o tempo trabalhado. Trabalhar, em Brasília, na Câmara, os 5 dias semanais.”
“Parlamento do Mercosul e os outros é desperdício de dinheiro público. A Câmara - que não consegue cumprir seu papel com os contribuintes brasileiros só por uma deformação de suas tarefas pode pretender atuar em outros organismos.” 
“O Brasil possui problemas demais para se envolver mais profundamente em controvérsias internacionais. Precisamos "limpar a casa" antes de interagir com os vizinhos.”

Processo legislativo
  • Restringir a prerrogativa dos deputados, de forma individual, de propor novas leis, priorizando as propostas partidárias e das comissões temáticas.
  • Aprimorar o apoio à atuação das lideranças e das representações partidárias na Casa. 
  • Aumentar a chance de proposições dos deputados serem apreciadas. 
A avaliação, à primeira vista, não se mostra coerente. Os respondentes não aceitam restringir a prerrogativa individual dos deputados de propor novas leis, mas também não apóiam a idéia de aumentar as chances de que as proposições  dos deputados sejam apreciadas: 
Aumentar a chance de proposições dos deputados serem apreciadas? Se dá por meio de os deputados trabalharem mais, mas para isso tem de criar mecanismos de fiscalização do cumprimento de horário de trabalho dos deputados.
As lideranças já exercem um poder desproporcional em relação aos demais deputados.
As lideranças já tem todo o apoio necessário para representação partidária, não pode ser além disso.
As respostas desta área aparentemente indicam um certo desconhecimento do processo legislativo. Mas parecem sobretudo reforçar uma idéia recorrente nas respostas, de preservar a margem de iniciativa individual frente à predominância de grupos, lideranças ou partidos, tanto no que concerne ao cidadão quanto ao parlamentar individual.
Eu tenho medo que igrejas, sindicatos e qualquer entidade fale em meu nome e tenha peso e importância muito grandes. 
Justificando o voto sobre sociedade organizada, é que na maior parte, ela sociedade organizada não representa e pensamento do povo, mas grupos políticos com interesses muitas vezes escusos.
É necessário estar atento para que minorias organizadas não sobreponham sua vontade à  vontade da maioria do povo que ainda não é organizado.
Limitar a prerrogativa individual dos deputados representa risco para a democracia. A burocracia não pode se sobrepor ao mandato atribuído pelo povo. É preferível que existam algumas proposições inadequadas, que serão eliminadas na tramitação, que um tecnicismo que elimine a contribuição plural dos parlamentares.  (servidor)
[A Câmara que queremos em 2023]:  ...menos fragmentada em termos partidários, com cada partido tendo uma identidade político-ideológica clara, embora respeitando as iniciativas individuais... (especialista)


Respostas ao que não foi diretamente perguntado

Alguns temas emergiram na pesquisa sem relação direta com as questões propostas. Ética, honestidade, trabalho são valores que a população gostaria de encontrar  na instituição e nos seus representantes.
[A Câmara que eu desejo para 2023]: 
A instituição mais importante do sistema de representação da sociedade brasileira no sistema político do país; em especial, o centro dos mecanismos de fiscalização e controle do Executivo e, em particular, controle e punição das práticas de corrupção e mal-feitos. (especialista)
A Câmara precisa ser representativa da sociedade e não corporativista e preocupada apenas com os interesses dos políticos e partidos. Ela deve ser ética e honesta. (cidadão)

Corrupção(48 menções)

Fomentar e aprimorar os mecanismos de controle de combate à  corrupção, eliminar as votações fechadas no Congresso, alterar a legislação processual civil e penal de modo a mitigar e punir os casos de corrupção, bem como recuperar ativos públicos que tenham sido amealhados de forma desonesta e corrupta.
Certamente o mais importante seria um mínimo de seriedade no combate à  corrupção.
Acabar com a corrupção ou pelo menos diminuí-la!
Imprescindível alterar a legislação, dando maiores possibilidade de a impunidade ser minimizada em todos os níveis da sociedade e da administração pública, seja dando maiores poderes e recursos aos órgãos que combatem a corrupção, seja alterando os códigos processuais de modo a não permitir que casos de corrupção permaneçam impunes e que os cofres públicos possam receber de volta os valores tomados de forma desonesta.
Não se justifica o Brasil dispor de um congresso nacional que seja o mais custoso do mundo com tão pouca eficiência e com tantos casos de corrupção parlamentar.
Acabar com a corrupção, punindo os safados!
A corrupção faz parte de nossa história. O exemplo aos corruptores e corruptos deve vir de cima. Mexer no bolso de quem a pratica.
Ter comissões de ética REALMENTE idôneas, formadas por pessoas de conduta ilibada, tornar a corrupção um crime hediondo e a subsequente expulsão PERMANENTE de todos os que foram considerados corruptos de forma comprovada.
Os parlamentares deveriam estar sujeitos à  punições nos casos de crimes comuns e principalmente corrupção. A imunidade parlamentar só deveria valer para proteger o congressista com relação à  atividade parlamentar.

Ficha limpa (12) + voto aberto (12)

Ficha limpa, voto aberto, se é acusado de corrupção deve sair e esclarecer sua situação.
Esta pesquisa é superficial e tendenciosa. É de se lamentar a ausência de temas muito importantes como a lei da ficha limpa, o voto secreto, a necessidade de uma reforma politica visando o aprimoramento e melhoria do nosso parlamento. 
1. FAZER UMA LEI QUE ACABE COM O VOTO SECRETO DOS DEPUTADOS. O POVO QUER OS SEUS REPRESENTANTES VOTANDO TODOS OS ASSUNTOS COM O VOTO ABERTO PARA QUE TODOS VEJAM ATRAVÉS DA TV. 2. ATENDER A LEI FICHA LIMPA E MANDAR TODOS OS DEPUTADOS CORRUPTOS E COM FICHA SUJA PARA FORA DA CÂMARA. ESTES PARLAMENTARES QUE SàO MINORIA ESTàO DESTRUINDO O CONGRESSO.
Voto aberto e transparente sempre. Se o voto fosse transparente vários deputados reconhecidamente corruptos não teriam sido absolvidos.
É preciso intensificar e endurecer a atuação da Comissão de Ética e Decoro Parlamentar. É preciso que se leve a sério a fidelidade partidária, e que se aplique rigorosamente a Lei da Ficha Limpa. Também deve ser abolido o voto secreto nas votações da Câmara. A sociedade precisa saber qual é a posição de seus deputados/representantes em todos os temas. 
O portal deveria começar perguntando... se os parlamentares devem ter ficha limpa durante o mandato. Se convém manter a ética nas proposições.

Interesse(s) (104)
As respostas envolvendo o tema “interesse(s)” se relacionam com o tema da representação. Elas se dividem em dois grupos, um criticando o tipo de interesses aos quais se atribui conotação negativa, outro favorecendo a representação e a defesa dos interesses considerados positivos.

Interesses “negativamente avaliados”  
Pessoais
Individuais
De grupos
Políticos
Corporativos
Dos partidos
Do Governo
Regionalistas 

Interesses   “positivamente avaliados”      
Sociais
Da coletividade
Públicos
Da sociedade
Dos trabalhadores
Coletivos
Da Nação
Do povo

Gostaria de ver o dia em que o congresso realmente representasse os interesses e as necessidades do povo do Brasil.(cidadão)
Além de identificar quais os temas de interesse social é muito importante encontrar meios de colocá-los em pauta. Os parlamentares tem sua própria agenda de interesses e não necessariamente são os mesmos da sociedade. (servidor)
Uma casa que todo brasileiro tenha orgulho de te-la como representante dos seus interesses. (deputado)
Fortalecer o papel do Senado enquanto Casa Revisora; melhorar a imagem da Câmara perante a sociedade organizada ou não; simplificar o processo legislativo para evitar tanta perda de tempo nas decisões do Plenário (isso aumentará o volume de deliberações de interesse da sociedade); fortalecer o papel fiscalizador de suas comissões; melhorar a integração entre as duas Casas Legislativas (não são raros os casos em que não se sabe direito o que está ocorrendo e como funciona a outra Casa); tornar a Câmara um locus de tomada de decisões legislativas de iniciativa dos próprios parlamentares (reduzindo a dependência perante do Poder Executivo).  (deputado)
Participação social virou um mantra pouco explicado. geralmente, participação social é o meu lobby, enquanto que o dos outros são os interesses escusos. (especialista)
A atuação da liderança está exagerada, sempre no interesse menor do partido, prá obtençao de cargo no loteamento público, e não no apoio ao cidadão. (especialista)
Aprimorar o uso de indicadores que melhor reflitam os interesses nacionais em substituição a indicadores oriundos do exterior, em particular os da OCDE. (especialista)
Gostaria que o interesse dos partidos fosse menor e, consequetemente, que esse interesse parasse de promover deputados totalmente indispensáveis,pelo despreparo ou, pior,pela desqulificaçao moral.  (especialista)
Quanto à  busca de conciliação dos conflitos de interesses, me parece que a Càmara é o palco onde essa conciliação é buscada, mas não o agente (são os próprios grupos sociais que se conciliam ou não).  (especialista)

Trabalhar (39 menções)+ trabalho (59 menções)
As respostas mostram um desconhecimento, por parte da população, das múltiplas dimensões do trabalho parlamentar. Identifica-se “trabalho” com expediente no espaço físico  da Câmara em Brasília, e especialmente no Plenário.
O deputado pode exercer suas atividades em qualquer lugar do país já hoje. Existe Internet, vídeo conferência, celular e etc. Tem é que reduzir as viagens aéreas e aumentar o tempo trabalhado. Trabalhar, em Brasília, na Câmara, os 5 dias semanais. 
O funcionamento da Câmara deveria ser como o cotidiano dos brasileiros: trabalhar de segunda a sexta ou sábado ou domingos, catraca para saber se o deputado pelo menos vai ao trabalho, proposição de metas e cumprimento destas. 
Diminuir o recesso parlamentar seria bom. Fazê-los trabalharem todos os dias da semana seria bom também.
Muitas vezes escuto e vejo por meio da mídia votações que chegam a madrugada.Isso pra mim tem que ser evitado. As votações deveriam iniciar cedo as 07:00 da manhã,com isso os deputados trabalhariam mais e não votariam pela madrugada.Pois é cansativos e muitos acabam cochilando, isso porque todos são humanos e o nosso organismo não aguenta tal stress. Tá certo que tem prazos,mas não adianta votar assuntos importantes sem estar 100% presente.
O que acho é que tanto os Deputados e uma grande maioria dos funcionários deveriam trabalhar mais com qualquer outro trabalhador, ou seja de segunda a sexta-feira. Nos Países evoluidos parlamentares trabalham cinco, seis, até sete dias na semana, no Brasil só dois dias, muito pouco para os altos salários que recebem. 
O corpo funcional deveria ser reduzido. Colocar os deputados para trabalhar de segunda à  sexta. 
Trabalhar pelo menos 5 dias por semana, e descontar os dias faltados do salário, que aliás, é extremamente além do padrão nacional, pois enquanto o salário mínimo não é nem o mínimo necessário para sobreviver, os salários deputados está muito além da realidade Brasileira (sem comentar os ganhos com desvios).
É da essência do trabalho legislativo o aperfeiçoamento, mas também é necessário que o Congresso Nacional funcione ininterruptamente, nao se admite que uma instituição deste porte permaneça aberto para assessores apenas e os deputados e senadores fiquem em suas bases. Vamos trabalhar como todos os mortais por tempo determinado de quatro ou oito anos, com direito a férias e permitir que na sua ausência alguem desempenhe esse importante papel e seremos os arautos da democracia no país.
Concluindo
A pesquisa, realizada com vistas a colher subsídios para o planejamento de longo prazo da Câmara, não teve a pretensão de ser estatisticamente representativa da opinião da população brasileira. Se esse tivesse sido o seu objetivo, ela envolveria recursos materiais e de tempo muito mais expressivos, e não estaria a nosso alcance no prazo disponível.
Dentro de suas pretensões e limitações, contudo, a enquete obteve a participação de um número expressivo de respondentes, e foi capaz de apontar direções importantes que são esperadas e desejadas em relação ao trabalho da Câmara dos Deputados nos próximos anos.
Dos próprios parlamentares, e das áreas administrativas e finalísticas da Casa, dependerá a qualidade das respostas que esta importante parcela da população, que se manifestou por meio deste instrumento, está pedindo de seus representantes.

___________________


segunda-feira, 5 de março de 2012

A Bundeskanzlerin e a Copa

A "Chancelera" alemã, Angela Merkel
Já que Dilma insiste em ser chamada de "presidenta", surge naturalmente a curiosidade sobre como nomear a chefe (chefa?) de Estado alemã, com quem ela se encontra esta semana.
Em português, até agora, não vi nenhum movimento para dar ao título de Chanceler, usado na Alemanha, uma versão feminina. Mas a própria língua alemã se encarrega de fazê-lo: lá, ela é chamada de Bundeskanzlerin, que é a versão feminina do Bundeskanzler.



Chanceler vem do latim cancellarius: porteiro, aquele que cuida da cancela.
Curiosamente, temos em português a expressão " explicação se dá para porteiro" , mas neste caso é a "porteira" Merkel quem se propõe a explicar a Dilma os recônditos mecanismos do tsunami de dólares dos desenvolvidos que se abate sobre o Brasil e as economias emergentes.

Aldo nâo gostou do "chute no traseiro" prometido por Valcke
 
E enquanto as mulheres se reúnem para tentar consertar a confusão que os homens deixaram na economia e nas finanças do mundo, no Brasil os rapazes da Fifa e do Ministério dos Esportes brigam como crianças... por causa do futebol!

Na verdade, a origem do quiprocó remonta à precipitada promessa do ex-presidente Lula à Fifa, de aprovar uma legislação de exceção em benefício dos interesses comerciais da entidade. Itens como a venda de bebidas alcoólicas nos estádios ou o regime de meias entradas fazem parte da legislação brasileira, e quem mexe na legislação é o Congresso. Não cabia ao presidente se comprometer com mudanças na lei, e muito menos à Fifa querer impor regime de urgência ao Congresso brasileiro. Assunto mal conduzido desde o início, e que ainda vai dar margem para muita confusão. 

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Um congresso no armário

Ótimo artigo do Gabeira no Estadão

O Estado de S. Paulo - 13/05/2011
O Congresso está diante de um desafio contemporâneo. Ora será solicitado a universalizar direitos, ora a reconhecer diferenças, como já o foi na Lei Maria da Penha e o será no caso de cotas para estudantes negros nas universidades. No caso dessas cotas, há quem prefira políticas universais que envolvam todos os pobres. E há quem considere essa preferência universal como conservadora. Isso pode implicar uma visão da sociedade como palco de uma multiplicidade de lutas isoladas, sem denominador comum, sem vínculos entre os vários atores.

Pensando nos 60 mil casais gays no Brasil e nos milhares de outros que se formarão, o reconhecimento de seus direitos pelo Supremo Tribunal Federal é motivo de alegria. No entanto, da perspectiva de quem lutou pelo tema no Congresso Nacional, é desapontador ver o tema ser decidido em outra esfera de poder.

Não é uma decepção calcada apenas na superposição de um tribunal a uma assembleia de representantes eleitos pelo voto popular. Ela se alimenta também da certeza de que a maioria dos parlamentares brasileiros pensa como os ministros que julgaram o tema, mas não houve coragem para agendar a matéria e votá-la dentro dos ritos democráticos.

A primeira e mais simples explicação é esta: os deputados não querem criar problemas com as religiões. Mas, se avançamos um pouco na análise, vamos constatar que a resposta é incompleta. Um tema que também desagrada às religiões, a legalização do bingo, não tem a mesma dificuldade de chegar à agenda. Ao contrário, é preciso sempre uma forte aliança do governo com alguns dos seus adversários na oposição para evitar que seja aprovada.

Uma segunda tentativa de explicar: os deputados não querem conflito com a Igreja em ano eleitoral. Mas a incrível capacidade de sobrevivência do projeto dos bingos indica o contrário: seus defensores não só enfrentam a Igreja, como preferem fazê-lo em ano eleitoral.

A diferença essencial não está, portanto, no enfrentamento com a Igreja nem na proximidade de eleições. Está na natureza da questão: uma é puramente ideológica; a outra representa, potencialmente, ajuda financeira às campanhas.

A transferência de poder de assembleias eleitas para tribunais de Justiça é um fenômeno moderno e alguns críticos o denunciam nos EUA, onde parte das políticas sociais está sendo decidida fora do Congresso, pela Suprema Corte. O que chamamos aqui de judicialização da política segue seu curso e representa a falência dos mecanismos parlamentares de negociação e da capacidade de produzir algum tipo de consenso.


quinta-feira, 31 de março de 2011

Imagem do Congresso

Eu nem tinha visto: a jornalista Eliane Cantanhede, da Folha, comentou os dados da minha pesquisa sobre a imagem do Congresso, no Brasil e no mundo. O comentário dela está transcrito aí abaixo:

 terça-feira, 8 de março de 2011


Tudo igual:: Eliane Cantanhêde

Enquanto a Câmara e o Senado instalam comissões especiais para a reforma política, tentando, em tese, moralizar a atividade político-partidária, o quadro técnico discute como melhorar a imagem do Congresso. Não é simples.

O Datafolha detecta há tempos a descrença da opinião pública com o Congresso e, um ano atrás, registrou que 39% das pessoas têm uma má imagem do Parlamento.

Isso, porém, não é jabuticaba. A desconfiança na política e no Congresso é mundial. Na América Latina, diz o Latinobarómetro, 58% indicam o governo como instituição com mais poder; 48%, as empresas; e só 25%, o Congresso, empatado com os partidos políticos. O governo mais forte é, ora, ora, o da Venezuela (79%). O do Brasil (52%) fica pouco abaixo da média.

Nos EUA, o Gallup registrou em 2010 um recorde negativo na avaliação do Congresso: 11%, pior índice entre 16 instituições pesquisadas. Em primeiro, ficaram as Forças Armadas (76%); em segundo, as pequenas empresas (66%); em terceiro, a polícia (59%).

Na União Europeia, o índice de confiança no Parlamento é 30%, desde 74% na Dinamarca até 19% no Reino Unido, monarquia parlamentarista e sólida democracia.

Diante desses dados, a jornalista e doutora em filosofia Rejane Xavier, funcionária concursada da Câmara, disse à direção da Casa que não há muito a fazer para que os brasileiros caiam de amores (e de confiança) pelo Congresso.

"Não parece haver nada em vista que possa modificar essa situação a curto ou médio prazo", avaliou. Encerrou com o título "Inconclusão": "Terá sentido, nesse contexto, criar um indicador e aplicá-lo, sabendo que os resultados serão previsivelmente decepcionantes?"

Não, não tem. Mas faria sentido, sim, evitar nomear mensaleiros e fichas-sujas para cargos de comando e presidências de comissões no Senado e na Câmara. Seria um bom começo. Ou melhor: teria sido...

FONTE: FOLHA DE S. PAULO   
Veja também: http://rexpublica2010.blogspot.com/2011/04/crise-da-representacao-i.html