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quarta-feira, 18 de maio de 2016

A ética da alocação dos recursos em saúde

Resolvi resgatar este trabalho porque a questão está mais viva do que nunca, face às propostas de redimensionamento do SUS

Por uma Ética do Gerenciamento dos Conflitos

Rejane Maria de Freitas Xavier

Resumo


Na "condição pós-moderna", fragmentária e plural da sociedade contemporânea, a gestão dos recursos em saúde tem de enfrentar conflitos inéditos. O que torna peculiar a situação da nossa época não é a falta de um corpo formal de princípios bioéticos básicos, mas a ausência de um marco comunitário universalmente compartilhado que proporcione aos mesmos um conteúdo substantivo homogêneo. Pela primeira vez na história aceita-se, dentro da sociedade, a oposição entre pontos de vista que, embora inconciliáveis, são reconhecidos como igualmente legítimos e respeitáveis. Sugere-se que nas decisões e na implementação das políticas de alocação de recursos a abertura para uma ampla participação dos diferentes grupos e agentes sociais seria a melhor forma de contribuir, neste campo, para recriar uma nova base comunitária, não-homogeneizante, capaz de fundar uma ética do gerenciamento do conflito legítimo, única adequada e possível para o nosso tempo.

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Eça é boa!

O que Eça de Queirós escreve numa das Farpas não é a cara do Brasil de hoje?
 

"Querido leitor : nunca penses servir o teu país com a tua inteligência, e para isso em estudar , em trabalhar , em pensar! Não estudes, corrompe ! Não sejas digno, sê hábil! 

E , sobretudo , nunca faças um concurso : ou quando o fizeres, em lugar de pôr no papel que está diante de ti o resultado de um ano de trabalho, de estudo, escreve simplesmente : sou influente no círculo tal e não me faças repetir duas vezes!"

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Anti-candidatura no Senado

O senador Pedro Taques (PDT-MT) fez discurso de cerca de 15 minutos na sexta-feira (1º/02/13) para afirmar sua "anticandidatura" à presidência da Casa. A vitória do peemedebista Renan Calheiros, que responde a diversas acusações na justiça, parece inevitável.

Integra do pronunciamento do senador Pedro Taques:

Sr. Presidente, senhoras senadoras, senhores senadores. Cidadãos que nos acompanham pela TV e Rádio Senado. Amigos das redes sociais,

É como um perdedor que ocupo hoje esta tribuna. Venho como alguém a quem a derrota corteja: certeira, transparente, inevitável, aritmética. Sou o titular da perda anunciada, do que não acontecerá.

Mas o bom povo de Mato Grosso não me deu voz nesta Casa para só disputar os certames que posso ganhar, mas para lutar, com todas as minhas forças, as batalhas que forem justas. Sigo o exemplo do apóstolo Paulo, também um perdedor, degolado em Roma por levar a mensagem do Cristo: quero poder dizer a todas as pessoas que combati o bom combate.

As palavras dos vitoriosos são lembradas. Seus feitos, realçados. Sua versão, tende a se perenizar. O sorriso do orgulho lhes estampa a face, tantas vezes, antes mesmo de vencerem. E nem sempre se pergunta que vitória foi esta que obtiveram. Será a vitória do Rei Pirro, que bateu os romanos na Batalha de Heracleia (280 A.C.) e olhando desconsolado para suas tropas destroçadas, disse que "outra vitória como aquela o arruinaria"? Será a vitória do Marechal Pétain, que ocupou o poder numa França emasculada pelos nazistas, traindo o melhor de sua gente? Será a vitória sem honra dos alemães diante do levante de Varsóvia?

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Mais uma punhalada nas costas


Da revista Exame (http://exame.abril.com.br/brasil/politica/noticias/quao-proximos-estao-lula-e-rosemary-novoa):

São Paulo – Nos últimos dezenove meses, a Polícia Federal gravou nada menos que 122 telefonemas entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Rosemary, ex-chefe de gabinete em SP, como parte da Operação Porto Seguro, que investiga a existência de um esquema de corrupção para favorecer grupos empresariais.

A ex-chefe de escritório foi exonerada [ "a pedido", diga-se de passagem] por Dilma Rousseff após a Polícia Federal ter registrado que ela recebia uma série de vantagens (desde plásticas até cruzeiros com duplas sertanejas) para participar de uma quadrilha que obtinha laudos fraudulentos de órgãos públicos. Dilma ainda extinguiu a chefia de gabinete da Presidência em São Paulo, e toda coordenação do escritório paulista será feita em Brasília.
(...)
Um indício de proximidade entre o ex-presidente e Rosemary durante o governo Lula pode ser visto no passaporte que ex-assessora tinha. O dela era vermelho, característica dos “superpassaportes”, ou passaportes diplomáticos, que são destinados a pouquíssimas autoridades e emitidos pelo Ministério das Relações Exteriores para alguns cargos ou através de pedidos especiais.
Rosemary teve um e, com ele, tinha garantido acesso a fila de entrada separada nos aeroportos e dispensa de vistos para ir aos países onde eles são exigidos. Foi com esse passaporte que, entre 2007 e 2010, ela viajou com Lula, então presidente da República, para 23 países, segundo levantamento da Folha de S. Paulo.

Detalhes:
- O ex-marido de Rosemary,  José Claudio de Noronha era empregado na Infraero e membro do conselho de administração da Brasilprev, empresa de previdência privada que tem o BB como sócio, e a filha era empregada na Anac
-Lula se considerou, mais uma vez, "apunhalado pelas costas" diante do escândalo.


- 

terça-feira, 20 de março de 2012

A Câmara que queremos em 2023

Pesquisa da Câmara dos Deputados, realizada em finais do ano passado, ouviu deputados, cientistas políticos, jornalistas, servidores da Casa e o público em geral sobre suas expectativas em relação à Câmara dos Deputados no longo prazo. O ano de 2023 foi escolhido como referência porque naquela data o parlamento brasileiro completará 200 anos.

 Nos links abaixo, matérias da TV e da Agência Câmara sobre os resultados dessa enquete, realizada sob todas as condições de controle científico porém sem representatividade estatística, pois não se baseou em amostra aleatória da população (o que teria elevado os custos e alongado o prazo além do razoável face ao objetivo proposto, que era o de orientar o planejamento estratégico da Casa).

Alguns destaques:
Fiscalização e leis efetivas
Conforme a analista legislativa Rejane Xavier, responsável pela realização da pesquisa, a enquete também revelou que a sociedade espera da Câmara um controle efetivo do uso dos recursos públicos, seja por meio de ações de caráter preventivo como de caráter punitivo. Os entrevistados também manifestaram a expectativa de que os trabalhos legislativos sejam mais eficientes. Espera-se que sejam criados mecanismos para a revisão das leis e para a revogação daquelas que não tenham mais sentido ou eficácia e que “entulham” o ordenamento jurídico.
Ética e trabalho
Rejane Xavier explica que alguns temas surgiram na pesquisa sem relação direta com as questões propostas. “Ética, honestidade, trabalho são valores que a população gostaria de encontrar na instituição e nos seus representantes”, diz a pesquisa. Na enquete, houve diversas menções espontâneas ao combate à corrupção, à ficha limpa e ao voto aberto entre as expectativas da população para a Câmara em 2023.

A Câmara que queremos em 2023: matéria da TV Câmara em 20/03/2012

Sociedade espera que a Câmara seja mais transparente e interativa: matéria da Agência Câmara em 16/03/2012

Resumo da pesquisa

O que se espera da Câmara em 2023?  
As 15 alternativas mais votadas na pesquisa sobre  A Câmara que queremos em 2023
Organizando tematicamente as 15 opções mais destacadas pelo conjunto dos 1008 respondentes da pesquisa  (incluindo deputados, especialistas, servidores e população em geral), podemos visualizar  as grandes expectativas da sociedade em relação à Câmara dos Deputados: informações transparentes e acessíveis, interação qualificada com o cidadão, controle efetivo do uso dos recursos públicos, modernização da legislação e do processo legislativo.  
Os respondentes foram 44 deputados, 29 especialistas (cientistas políticos, economistas, jornalistas), 360 servidores da Câmara dos Deputados e 575 cidadãos (via internet).  A enquete ficou disponível na internet por um pouco menos de um mês, e o fato de que quase 600 cidadãos tenham se proposto a responder ao questionário de 60 perguntas revela um interesse bastante expressivo pela participação.  
Não se trata, como é obvio, de uma amostra representativa da sociedade brasileira. Mas apresenta um recorte significativo de uma parcela da população  que tem maior interesse pela política ou contato com a instituição.  
Os resultados revelam uma clara compreensão, por parte destes participantes, sobre os papéis institucionais da Câmara: representar, isto é “ouvir o cidadão e interagir com ele”; legislar  e fiscalizar,  de forma transparente, eficiente, efetiva e  eficaz.
Espera-se que a Câmara seja transparente (disponibilizando as informações de forma aberta),  acessível (facilitando o acesso e a compreensão do cidadão) e interativa (permitindo que o cidadão, além de se informar, possa também se manifestar e ser ouvido). 
A interação que denominamos qualificada com o cidadão é vista como função de um processo de educação política que leve a uma maior compreensão do papel do Legislativo e da atuação dos deputados.




Transparência, informação
Facilitar o acesso da sociedade às informações sobre a ação do Estado.

Aprimorar a forma como são tratadas e disponibilizadas as informações.

Aumentar a transparência por meio da maior disponibilização de dados abertos.

Acesso, interação com a Câmara
Captar melhor os anseios dos cidadãos.

Ampliar o acesso dos cidadãos aos canais de relacionamento da Casa.

Ampliar e aprimorar os meios para que todo cidadão que queira possa acessar a Câmara dos Deputados.


Educação política, compreensão do papel
Intensificar as ações que promovam a educação política dos atuais e futuros cidadãos.

Favorecer o entendimento e o acompanhamento da atuação dos deputados pelos eleitores.

Facilitar o entendimento dos cidadãos sobre o papel e o funcionamento da Câmara dos Deputados.

Controle efetivo, fiscalização
Coibir o mau uso de recursos públicos com ações de caráter preventivo.

Coibir o mau uso de recursos públicos propondo ações de caráter punitivo.

Melhorar as redes de controle com outros órgãos federais, como TCU, MPU, Banco Central e Receita Federal.

Modernização da legislação e do processo legislativo
Aumentar a eficiência dos processos de trabalho relacionados à atividade legislativa.

Aprimorar a discussão das proposições por meio da interação com os cidadãos.

Criar mecanismos para a revisão e a revogação das leis que não tenham mais sentido ou eficácia e que “entulham” o ordenamento jurídico.

Os 10 itens considerados de menor importância 

Considerado o conjunto dos respondentes, os 10 itens que obtiveram menor pontuação podem ser agrupados em três áreas:

Estrutura da Casa
  • Aprimorar a gestão de espaços físicos e infraestrutura.
  • Melhorar a segurança de pessoas e das instalações.
A estrutura da Casa foi considerada já satisfatória, especialmente pelo público em geral. Alguns comentários de cidadãos expressam essa percepção:
“Segurança já tem e é bem qualificada, aumentar custos com segurança não resolve”.
“Acho que já tem é muito espaço em Brasilia, tem muito predio vazio.”
“Entendo que a Câmara tem uma estrutura que atende as necessidade dos parlamentares, quanto a valorizar o corpo funcional já tem uma valorização suficiente. O que acho é que tanto os Deputados e uma grande maioria dos funcionários deveriam trabalhar mais como qualquer outro trabalhador, ou seja de segunda a sexta-feira.”

Atividades ‘externas’ 
  • Promover a cooperação técnica com outros parlamentos.
  • Estruturar a interação da Câmara dos Deputados com parlamentos nacionais e multilaterais (ex: Mercosul, Parlatino, Parlamento Europeu).
  • Intensificar a participação dos deputados nas ações diplomáticas de desenvolvimento global, solução de controvérsias e manutenção da ordem internacional.
  • Prover meios aos deputados para exercerem suas atribuições em qualquer lugar do País.
  • Apoiar a atuação do deputado junto às suas bases no estado.
A grande concentração de itens rejeitados nessa área mostra que a população deseja a presença dos parlamentares em Brasília. Segundo a visão predominante, é aí que deve se concentrar o trabalho dos deputados. Atividades fora de Brasília não são vistas como trabalho, segundo os cidadãos:
 “É da essência do trabalho legislativo o aperfeiçoamento, mas também é necessário que o Congresso Nacional funcione ininterruptamente, nao se admite que uma instituição deste porte permaneça aberto para assessores apenas e os deputados e senadores fiquem em suas bases.” 
“O deputado federal é eleito sabendo que deve cumprir expediente em Brasília. Imaginem se um deputado possar a "trabalhar" em qualquer lugar... aí sim, as "excelências" nunca porão os pés em Brasília.”
“O deputado pode exercer suas atividades em qualquer lugar do país já hoje. Existe Internet, vídeo conferência, celular e etc. Tem é que reduzir as viagens aéreas e aumentar o tempo trabalhado. Trabalhar, em Brasília, na Câmara, os 5 dias semanais.”
“Parlamento do Mercosul e os outros é desperdício de dinheiro público. A Câmara - que não consegue cumprir seu papel com os contribuintes brasileiros só por uma deformação de suas tarefas pode pretender atuar em outros organismos.” 
“O Brasil possui problemas demais para se envolver mais profundamente em controvérsias internacionais. Precisamos "limpar a casa" antes de interagir com os vizinhos.”

Processo legislativo
  • Restringir a prerrogativa dos deputados, de forma individual, de propor novas leis, priorizando as propostas partidárias e das comissões temáticas.
  • Aprimorar o apoio à atuação das lideranças e das representações partidárias na Casa. 
  • Aumentar a chance de proposições dos deputados serem apreciadas. 
A avaliação, à primeira vista, não se mostra coerente. Os respondentes não aceitam restringir a prerrogativa individual dos deputados de propor novas leis, mas também não apóiam a idéia de aumentar as chances de que as proposições  dos deputados sejam apreciadas: 
Aumentar a chance de proposições dos deputados serem apreciadas? Se dá por meio de os deputados trabalharem mais, mas para isso tem de criar mecanismos de fiscalização do cumprimento de horário de trabalho dos deputados.
As lideranças já exercem um poder desproporcional em relação aos demais deputados.
As lideranças já tem todo o apoio necessário para representação partidária, não pode ser além disso.
As respostas desta área aparentemente indicam um certo desconhecimento do processo legislativo. Mas parecem sobretudo reforçar uma idéia recorrente nas respostas, de preservar a margem de iniciativa individual frente à predominância de grupos, lideranças ou partidos, tanto no que concerne ao cidadão quanto ao parlamentar individual.
Eu tenho medo que igrejas, sindicatos e qualquer entidade fale em meu nome e tenha peso e importância muito grandes. 
Justificando o voto sobre sociedade organizada, é que na maior parte, ela sociedade organizada não representa e pensamento do povo, mas grupos políticos com interesses muitas vezes escusos.
É necessário estar atento para que minorias organizadas não sobreponham sua vontade à  vontade da maioria do povo que ainda não é organizado.
Limitar a prerrogativa individual dos deputados representa risco para a democracia. A burocracia não pode se sobrepor ao mandato atribuído pelo povo. É preferível que existam algumas proposições inadequadas, que serão eliminadas na tramitação, que um tecnicismo que elimine a contribuição plural dos parlamentares.  (servidor)
[A Câmara que queremos em 2023]:  ...menos fragmentada em termos partidários, com cada partido tendo uma identidade político-ideológica clara, embora respeitando as iniciativas individuais... (especialista)


Respostas ao que não foi diretamente perguntado

Alguns temas emergiram na pesquisa sem relação direta com as questões propostas. Ética, honestidade, trabalho são valores que a população gostaria de encontrar  na instituição e nos seus representantes.
[A Câmara que eu desejo para 2023]: 
A instituição mais importante do sistema de representação da sociedade brasileira no sistema político do país; em especial, o centro dos mecanismos de fiscalização e controle do Executivo e, em particular, controle e punição das práticas de corrupção e mal-feitos. (especialista)
A Câmara precisa ser representativa da sociedade e não corporativista e preocupada apenas com os interesses dos políticos e partidos. Ela deve ser ética e honesta. (cidadão)

Corrupção(48 menções)

Fomentar e aprimorar os mecanismos de controle de combate à  corrupção, eliminar as votações fechadas no Congresso, alterar a legislação processual civil e penal de modo a mitigar e punir os casos de corrupção, bem como recuperar ativos públicos que tenham sido amealhados de forma desonesta e corrupta.
Certamente o mais importante seria um mínimo de seriedade no combate à  corrupção.
Acabar com a corrupção ou pelo menos diminuí-la!
Imprescindível alterar a legislação, dando maiores possibilidade de a impunidade ser minimizada em todos os níveis da sociedade e da administração pública, seja dando maiores poderes e recursos aos órgãos que combatem a corrupção, seja alterando os códigos processuais de modo a não permitir que casos de corrupção permaneçam impunes e que os cofres públicos possam receber de volta os valores tomados de forma desonesta.
Não se justifica o Brasil dispor de um congresso nacional que seja o mais custoso do mundo com tão pouca eficiência e com tantos casos de corrupção parlamentar.
Acabar com a corrupção, punindo os safados!
A corrupção faz parte de nossa história. O exemplo aos corruptores e corruptos deve vir de cima. Mexer no bolso de quem a pratica.
Ter comissões de ética REALMENTE idôneas, formadas por pessoas de conduta ilibada, tornar a corrupção um crime hediondo e a subsequente expulsão PERMANENTE de todos os que foram considerados corruptos de forma comprovada.
Os parlamentares deveriam estar sujeitos à  punições nos casos de crimes comuns e principalmente corrupção. A imunidade parlamentar só deveria valer para proteger o congressista com relação à  atividade parlamentar.

Ficha limpa (12) + voto aberto (12)

Ficha limpa, voto aberto, se é acusado de corrupção deve sair e esclarecer sua situação.
Esta pesquisa é superficial e tendenciosa. É de se lamentar a ausência de temas muito importantes como a lei da ficha limpa, o voto secreto, a necessidade de uma reforma politica visando o aprimoramento e melhoria do nosso parlamento. 
1. FAZER UMA LEI QUE ACABE COM O VOTO SECRETO DOS DEPUTADOS. O POVO QUER OS SEUS REPRESENTANTES VOTANDO TODOS OS ASSUNTOS COM O VOTO ABERTO PARA QUE TODOS VEJAM ATRAVÉS DA TV. 2. ATENDER A LEI FICHA LIMPA E MANDAR TODOS OS DEPUTADOS CORRUPTOS E COM FICHA SUJA PARA FORA DA CÂMARA. ESTES PARLAMENTARES QUE SàO MINORIA ESTàO DESTRUINDO O CONGRESSO.
Voto aberto e transparente sempre. Se o voto fosse transparente vários deputados reconhecidamente corruptos não teriam sido absolvidos.
É preciso intensificar e endurecer a atuação da Comissão de Ética e Decoro Parlamentar. É preciso que se leve a sério a fidelidade partidária, e que se aplique rigorosamente a Lei da Ficha Limpa. Também deve ser abolido o voto secreto nas votações da Câmara. A sociedade precisa saber qual é a posição de seus deputados/representantes em todos os temas. 
O portal deveria começar perguntando... se os parlamentares devem ter ficha limpa durante o mandato. Se convém manter a ética nas proposições.

Interesse(s) (104)
As respostas envolvendo o tema “interesse(s)” se relacionam com o tema da representação. Elas se dividem em dois grupos, um criticando o tipo de interesses aos quais se atribui conotação negativa, outro favorecendo a representação e a defesa dos interesses considerados positivos.

Interesses “negativamente avaliados”  
Pessoais
Individuais
De grupos
Políticos
Corporativos
Dos partidos
Do Governo
Regionalistas 

Interesses   “positivamente avaliados”      
Sociais
Da coletividade
Públicos
Da sociedade
Dos trabalhadores
Coletivos
Da Nação
Do povo

Gostaria de ver o dia em que o congresso realmente representasse os interesses e as necessidades do povo do Brasil.(cidadão)
Além de identificar quais os temas de interesse social é muito importante encontrar meios de colocá-los em pauta. Os parlamentares tem sua própria agenda de interesses e não necessariamente são os mesmos da sociedade. (servidor)
Uma casa que todo brasileiro tenha orgulho de te-la como representante dos seus interesses. (deputado)
Fortalecer o papel do Senado enquanto Casa Revisora; melhorar a imagem da Câmara perante a sociedade organizada ou não; simplificar o processo legislativo para evitar tanta perda de tempo nas decisões do Plenário (isso aumentará o volume de deliberações de interesse da sociedade); fortalecer o papel fiscalizador de suas comissões; melhorar a integração entre as duas Casas Legislativas (não são raros os casos em que não se sabe direito o que está ocorrendo e como funciona a outra Casa); tornar a Câmara um locus de tomada de decisões legislativas de iniciativa dos próprios parlamentares (reduzindo a dependência perante do Poder Executivo).  (deputado)
Participação social virou um mantra pouco explicado. geralmente, participação social é o meu lobby, enquanto que o dos outros são os interesses escusos. (especialista)
A atuação da liderança está exagerada, sempre no interesse menor do partido, prá obtençao de cargo no loteamento público, e não no apoio ao cidadão. (especialista)
Aprimorar o uso de indicadores que melhor reflitam os interesses nacionais em substituição a indicadores oriundos do exterior, em particular os da OCDE. (especialista)
Gostaria que o interesse dos partidos fosse menor e, consequetemente, que esse interesse parasse de promover deputados totalmente indispensáveis,pelo despreparo ou, pior,pela desqulificaçao moral.  (especialista)
Quanto à  busca de conciliação dos conflitos de interesses, me parece que a Càmara é o palco onde essa conciliação é buscada, mas não o agente (são os próprios grupos sociais que se conciliam ou não).  (especialista)

Trabalhar (39 menções)+ trabalho (59 menções)
As respostas mostram um desconhecimento, por parte da população, das múltiplas dimensões do trabalho parlamentar. Identifica-se “trabalho” com expediente no espaço físico  da Câmara em Brasília, e especialmente no Plenário.
O deputado pode exercer suas atividades em qualquer lugar do país já hoje. Existe Internet, vídeo conferência, celular e etc. Tem é que reduzir as viagens aéreas e aumentar o tempo trabalhado. Trabalhar, em Brasília, na Câmara, os 5 dias semanais. 
O funcionamento da Câmara deveria ser como o cotidiano dos brasileiros: trabalhar de segunda a sexta ou sábado ou domingos, catraca para saber se o deputado pelo menos vai ao trabalho, proposição de metas e cumprimento destas. 
Diminuir o recesso parlamentar seria bom. Fazê-los trabalharem todos os dias da semana seria bom também.
Muitas vezes escuto e vejo por meio da mídia votações que chegam a madrugada.Isso pra mim tem que ser evitado. As votações deveriam iniciar cedo as 07:00 da manhã,com isso os deputados trabalhariam mais e não votariam pela madrugada.Pois é cansativos e muitos acabam cochilando, isso porque todos são humanos e o nosso organismo não aguenta tal stress. Tá certo que tem prazos,mas não adianta votar assuntos importantes sem estar 100% presente.
O que acho é que tanto os Deputados e uma grande maioria dos funcionários deveriam trabalhar mais com qualquer outro trabalhador, ou seja de segunda a sexta-feira. Nos Países evoluidos parlamentares trabalham cinco, seis, até sete dias na semana, no Brasil só dois dias, muito pouco para os altos salários que recebem. 
O corpo funcional deveria ser reduzido. Colocar os deputados para trabalhar de segunda à  sexta. 
Trabalhar pelo menos 5 dias por semana, e descontar os dias faltados do salário, que aliás, é extremamente além do padrão nacional, pois enquanto o salário mínimo não é nem o mínimo necessário para sobreviver, os salários deputados está muito além da realidade Brasileira (sem comentar os ganhos com desvios).
É da essência do trabalho legislativo o aperfeiçoamento, mas também é necessário que o Congresso Nacional funcione ininterruptamente, nao se admite que uma instituição deste porte permaneça aberto para assessores apenas e os deputados e senadores fiquem em suas bases. Vamos trabalhar como todos os mortais por tempo determinado de quatro ou oito anos, com direito a férias e permitir que na sua ausência alguem desempenhe esse importante papel e seremos os arautos da democracia no país.
Concluindo
A pesquisa, realizada com vistas a colher subsídios para o planejamento de longo prazo da Câmara, não teve a pretensão de ser estatisticamente representativa da opinião da população brasileira. Se esse tivesse sido o seu objetivo, ela envolveria recursos materiais e de tempo muito mais expressivos, e não estaria a nosso alcance no prazo disponível.
Dentro de suas pretensões e limitações, contudo, a enquete obteve a participação de um número expressivo de respondentes, e foi capaz de apontar direções importantes que são esperadas e desejadas em relação ao trabalho da Câmara dos Deputados nos próximos anos.
Dos próprios parlamentares, e das áreas administrativas e finalísticas da Casa, dependerá a qualidade das respostas que esta importante parcela da população, que se manifestou por meio deste instrumento, está pedindo de seus representantes.

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sábado, 17 de setembro de 2011

Turma desqualificada


De Fernando Rodrigues, na Folha de hoje:

"Dilma chegou ao Planalto nas costas de dez legendas -a maior coalizão formal a eleger um presidente da República pós-ditadura. Ao montar sua equipe, a primeira mulher a ocupar o Planalto optou por ceder várias cadeiras a uma turma desqualificada que agora começa a cair.Ontem, a presidente disse que escolhas políticas não "desmerecem nenhum governo".
Mais ou menos. Se os indicados são Pedros Novais, desmerecem sim. Qualquer observador político com o Q.I. equivalente ao de um Forrest Gump saberia em dezembro passado que o então nomeado ministro do Turismo não poderia assumir o cargo em janeiro. Mas Dilma não teve presciência -ou coragem- para abortar o problema."

sexta-feira, 25 de março de 2011

A Sindrome Ricardo Neis (SRN)


Ricardo Neis, como foi mundialmente noticiado e visto no youtube, avançou seu carro sobre ciclistas que obstruíam a passagem do seu automóvel









Todos Somos Ricardo Neis

"Considerando que estamos a todo momento tendo que não fazer uso de todos os cavalos de potência que temos, que estamos vivendo a castração da potência em sentido freudiano, estamos a todo momento anulando potência. Se um ser mais fraco (uma moto, bicicleta, ou pior ainda um pedestre) age conosco de forma arrogante, impondo sua fragilidade como uma arma, a pergunta na mente do portador de SRN é: por que passo o dia tendo que me anular, sendo forte, e esse ser mais frágil age de forma intimidatória comigo, não estando armado?"

leia a íntegra no blog Moral e Cívica, que eu acompanho (e recomendo)

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Abaixo o racismo!

Mesmo que venha do Monteiro Lobato.

Não deixe de ler: http://www.idelberavelar.com/archives/2011/02/carta_aberta_ao_ziraldo_por_ana_maria_goncalves.php

Como é que um escritor com a sensibilidade de Lobato podia ter idéias como essas? É o mesmo Lobato que escreveu o conto - ou reportagem? -  "Negrinha", transcrito abaixo? As pessoas são mesmo contraditórias...


Negrinha
Monteiro Lobato

Negrinha era uma pobre órfã de sete anos. Preta? Não; fusca, mulatinha escura, de cabelos ruços e olhos assustados.
Nascera na senzala, de mãe escrava, e seus primeiros anos vivera-os pelos cantos escuros da cozinha, sobre velha esteira e trapos imundos. Sempre escondida, que a patroa não gostava de crianças.
Excelente senhora, a patroa. Gorda, rica, dona do mundo, amimada dos padres, com lugar certo na igreja e camarote de luxo reservado no céu. Entaladas as banhas no trono (uma cadeira de balanço na sala de jantar), ali bordava, recebia as amigas e o vigário, dando audiências, discutindo o tempo. Uma virtuosa senhora em suma — “dama de grandes virtudes apostólicas, esteio da religião e da moral”, dizia o reverendo.
Ótima, a dona Inácia.
Mas não admitia choro de criança. Ai! Punha-lhe os nervos em carne viva. Viúva sem filhos, não a calejara o choro da carne de sua carne, e por isso não suportava o choro da carne alheia. Assim, mal vagia, longe, na cozinha, a triste criança, gritava logo nervosa:
— Quem é a peste que está chorando aí?
Quem havia de ser? A pia de lavar pratos? O pilão? O forno? A mãe da criminosa abafava a boquinha da filha e afastava-se com ela para os fundos do quintal, torcendo-lhe em caminho beliscões de desespero.
— Cale a boca, diabo!
No entanto, aquele choro nunca vinha sem razão. Fome quase sempre, ou frio, desses que entanguem pés e mãos e fazem-nos doer…
Assim cresceu Negrinha — magra, atrofiada, com os olhos eternamente assustados. Órfã aos quatro anos, por ali ficou feito gato sem dono, levada a pontapés. Não compreendia a idéia dos grandes. Batiam-lhe sempre, por ação ou omissão. A mesma coisa, o mesmo ato, a mesma palavra provocava ora risadas, ora castigos. Aprendeu a andar, mas quase não andava. Com pretextos de que às soltas reinaria no quintal, estragando as plantas, a boa senhora punha-a na sala, ao pé de si, num desvão da porta.