Até que ponto o gordo é simplesmente diferente, e até que ponto deve ser considerado doente?
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| "O General Toscano Alessandro del Borro", atribuído a Andrea Sacchi, 1645 |
A história da humanidade e da medicina é pontuada por diferentes construções teóricas dos conceitos de saúde e de doença, frequentemente associados a indicadores valorativos – o normal e o patológico, o bem e o mal, o certo e o errado.
Efeito de um mau-olhado, feitiçaria ou castigo divino; desequilíbrio dos humores internos e externos; “entidade mórbida” que acomete o indivíduo, miasmas insalubres ou germes específicos que atacam os órgãos; diferenças de grau nos processos fisiológicos; produto de hábitos condenáveis, de condições sociais estressantes ou de fatores psicológicos individuais... Causas simples ou etiologia multicausal, a doença resultante é quase sempre associada à culpa: do feitiço, dos deuses, do pecado, do meio ambiente, do indivíduo, da sociedade.
Essas diferentes formas de encarar a saúde e a doença se refletem na forma de tratamento que se considera adequada. Do isolamento da vítima ao reconhecimento de um direito difuso (a saúde como “direito de todos e dever do Estado”), passando pelos rituais midiáticos de cura coletiva ou pelos caros consultórios psi, todas as combinações possíveis parecem ter sido testadas.
E apesar de tudo, questões básicas persistem. Homossexualismo é doença? Obesidade é doença?
