"The environment should compete with religion as the only compelling, value-based narrative available to humanity."
Ninguém é a favor de poluir o planeta. Mas forças poderosas estão utilizando o tema para forçar o estabelecimento de um "governo mundial" capaz de minar a soberania dos estados nacionais sobre seus recursos naturais.
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sábado, 4 de janeiro de 2014
terça-feira, 22 de outubro de 2013
Pobre petróleo
Transcrevo a irretocável análise do Serra:
O
PT transformou uma facilidade, que era o sistema de concessões na área
do petróleo, numa dificuldade, que é esse regime de partilha. A
obrigatoriedade da Petrobras de participar com um mínimo de 30% de cada
empreendimento vai muito além da capacidade financeira e administrativa
atual da empresa. E isso se tornou especialmente sádico no contexto das
dificuldades que a Petrobras enfrenta, decorrentes dos péssimos
investimentos em refinarias, que a obrigam a importar volumes crescentes
de combustíveis e acumular grandes prejuízos, em razão da defasagem de
preços. Os governos do PT conseguiram criar a situação mais crítica da
historia de 60 anos da empresa, apesar de ela ser um monopólio, de ter
recebido um aporte do Tesouro de 150 bilhões de reais, de possuir
grandes reservas do óleo, dos preços superiores a 100 dólares o barril e
do domínio da tecnologia de extração em águas profundas.
O regime de partilha afastou empresas da concorrência pela exploração
dos campos de Libra. Deixou de proporcionar mais recursos ao país. Mais
ainda: para viabilizar o único grupo que se dispôs a entrar no leilão, a
Petrobras obrigou-se a participar com 40% do projeto. Portanto, dos 15
bilhões de reais que o governo deveria receber como bônus, 6 bilhões
caberão à Petrobras. Ela não tem esse dinheiro. Provavelmente os sócios
chineses a financiarão. Por isso mesmo e por outras razões, as estatais
da China, que entraram com 20% do projeto, terão uma força maior no
comando da exploração. A economia brasileira é hoje dependente da
chinesa, e a postura do governo brasileiro em relação aos chineses é
sempre reverente e concessiva. Não tenham a menor dúvida: em matéria de
exploração do nosso petróleo, o Brasil teria muito mais força ao lidar
com empresas privadas internacionais do que com as estatais chinesas.
Estas não são objeto, no seu país de origem, de manipulação política e
de negócios especiais. E pertencem a um governo que tem visão de médio e
longo prazos, por incrível que isso possa parecer no Brasil de hoje.
Antes mesmo do leilão de hoje, técnicos do governo já falavam em off
para a imprensa que no futuro o modelo da partilha deve mudar, que não é
adequado, etc. Ou seja, as grandes questões do país continuam a ser
objeto de experimentação, de gente que transforma soluções em problemas,
que vai para o governo fazer curso de graduação em administração
pública. Isso tem duas consequências: atrasar os investimentos e fazer
coisas malfeitas.
O
PT transformou uma facilidade, que era o sistema de concessões na área
do petróleo, numa dificuldade, que é esse regime de partilha. A
obrigatoriedade da Petrobras de participar com um mínimo de 30% de cada
empreendimento vai muito além da capacidade financeira e administrativa
atual da empresa. E isso se tornou especialmente sádico no contexto das
dificuldades que a Petrobras enfrenta, decorrentes dos péssimos
investimentos em refinarias, que a obrigam a importar volumes crescentes
de combustíveis e acumular grandes prejuízos, em razão da defasagem de
preços. Os governos do PT conseguiram criar a situação mais crítica da
historia de 60 anos da empresa, apesar de ela ser um monopólio, de ter
recebido um aporte do Tesouro de 150 bilhões de reais, de possuir
grandes reservas do óleo, dos preços superiores a 100 dólares o barril e
do domínio da tecnologia de extração em águas profundas.
O regime de partilha afastou empresas da concorrência pela exploração dos campos de Libra. Deixou de proporcionar mais recursos ao país. Mais ainda: para viabilizar o único grupo que se dispôs a entrar no leilão, a Petrobras obrigou-se a participar com 40% do projeto. Portanto, dos 15 bilhões de reais que o governo deveria receber como bônus, 6 bilhões caberão à Petrobras. Ela não tem esse dinheiro. Provavelmente os sócios chineses a financiarão. Por isso mesmo e por outras razões, as estatais da China, que entraram com 20% do projeto, terão uma força maior no comando da exploração. A economia brasileira é hoje dependente da chinesa, e a postura do governo brasileiro em relação aos chineses é sempre reverente e concessiva. Não tenham a menor dúvida: em matéria de exploração do nosso petróleo, o Brasil teria muito mais força ao lidar com empresas privadas internacionais do que com as estatais chinesas. Estas não são objeto, no seu país de origem, de manipulação política e de negócios especiais. E pertencem a um governo que tem visão de médio e longo prazos, por incrível que isso possa parecer no Brasil de hoje.
Antes mesmo do leilão de hoje, técnicos do governo já falavam em off para a imprensa que no futuro o modelo da partilha deve mudar, que não é adequado, etc. Ou seja, as grandes questões do país continuam a ser objeto de experimentação, de gente que transforma soluções em problemas, que vai para o governo fazer curso de graduação em administração pública. Isso tem duas consequências: atrasar os investimentos e fazer coisas malfeitas.
O regime de partilha afastou empresas da concorrência pela exploração dos campos de Libra. Deixou de proporcionar mais recursos ao país. Mais ainda: para viabilizar o único grupo que se dispôs a entrar no leilão, a Petrobras obrigou-se a participar com 40% do projeto. Portanto, dos 15 bilhões de reais que o governo deveria receber como bônus, 6 bilhões caberão à Petrobras. Ela não tem esse dinheiro. Provavelmente os sócios chineses a financiarão. Por isso mesmo e por outras razões, as estatais da China, que entraram com 20% do projeto, terão uma força maior no comando da exploração. A economia brasileira é hoje dependente da chinesa, e a postura do governo brasileiro em relação aos chineses é sempre reverente e concessiva. Não tenham a menor dúvida: em matéria de exploração do nosso petróleo, o Brasil teria muito mais força ao lidar com empresas privadas internacionais do que com as estatais chinesas. Estas não são objeto, no seu país de origem, de manipulação política e de negócios especiais. E pertencem a um governo que tem visão de médio e longo prazos, por incrível que isso possa parecer no Brasil de hoje.
Antes mesmo do leilão de hoje, técnicos do governo já falavam em off para a imprensa que no futuro o modelo da partilha deve mudar, que não é adequado, etc. Ou seja, as grandes questões do país continuam a ser objeto de experimentação, de gente que transforma soluções em problemas, que vai para o governo fazer curso de graduação em administração pública. Isso tem duas consequências: atrasar os investimentos e fazer coisas malfeitas.
domingo, 20 de outubro de 2013
Nosso petróleo: leilão de Libra
Como diz o Cesar Benjamin: "No fundo, toda essa operação do leilão de Libra significa que o Brasil trocará petróleo por títulos do Tesouro americano. É muito triste."
Mais uma mentira
"A presidenta Dilma afirma que “ o dinheiro dos royalties vai permitir grandes investimentos em educação (...) mais creches, alfabetização na idade certa, escolas em tempo integral, ensino médio profissionalizante, mais vagas em universidades, mais pesquisa e inovação, professores mais preparados e bem remunerados.”O fato: o dinheiro dos royalties até hoje só serviu para colocar chafarizes em praça pública, porcelanato nas calçadas, financiar shows e campanhas políticas. Campos dos Goytacazes, o município que mais recebe royalties no Brasil, tem um dos piores IDH, além de ser o recordista no estado do Rio em trabalho escravo. O Estado do Rio, que fica com mais de 80% dos royalties, tem os professores mais mal pagos e uma das piores escolas públicas do Brasil. Além disso, os royalties representam 15% do petróleo. Mas só 5% , a parcela reservada à União, estarão garantidos à educação e à saúde.
Os 15% dos royalies representam o rabo do elefante. A sociedade quer discutir o elefante inteiro, ou seja, o que fazer com os outros 85% do petróleo que estão sendo entregues a petrolíferas estrangeiras, através dos leilões."
Emanuel Cancella - Técnico da Petrobrás há 38 anos, Secretário Geral da FNP e do Sindipetro-RJ
quarta-feira, 18 de setembro de 2013
Malthusianismo geopolítico

Sinceramente, considero-me uma iniciante com muito a aprender sobre geopolítica e estratégia. Mas se os grandes luminares da área escrevem tais sandices começo a ficar preocupada com os rumos da política mundial
Este autor, o jornalista norte-americano Robert Kaplan, é considerado um
dos gênios da geopolítica americana.
De março de 2008 até a primavera de 2012, ele foi membro sênior do Center for a New American Security , em Washington. Em 2009, o secretário de Defesa, Robert Gates, nomeou Kaplan para o Defense Policy Board, um comitê consultivo federal para o Departamento de Defesa dos Estados Unidos. Em 2011, a revista Foreign Policy apontou Kaplan como um dos "100 maiores pensadores globais" do mundo.
sábado, 14 de setembro de 2013
Mapas, geografia e política
Uma revisão, geograficamente embasada, dos mapas que usamos no Brasil teria duas consequências geopolíticas importantes: mostraria que não estamos "de cabeça para baixo" e que somos bem maiores do que imaginamos.
A apresentação que preparei para a ESG tratou da primeira dessas consequências, relativa à nossa posição. Mais tarde montarei outra, sobre o tamanho do nosso país.
Este blog não permite a inclusão de arquivos ppt, então coloco apenas as fotos, resumindo os textos intermediários e os comentários. Em resumo, defendi que embora o reposicionamento cartográfico proposto (em que o Brasil apareceria no centro do mapa, e o Polo Sul estaria na parte de cima do mesmo) tenha evidente impacto geopolítico, ele pode ser defendido por razões puramente geográficas ou espaciais.
Superada a visão aristotélica do universo, em que as cada coisa tinha o seu "lugar natural", tanto mais nobre quanto mais elevado, o espaço passou a ser visto como infinito e isotrópico: infinitos pontos de vista são possíveis, nenhum ponto pode ser considerado "o centro", nenhuma perspectiva é privilegiada sobre as demais. Desde a época de Giordano Bruno (falecido em 1600, na fogueira da Inquisição) essas ideias deixaram de ser chocantes.
Portanto, nosso planeta, girando no espaço infinito, pode ser visto e fotografado do Norte para o Sul, do Sul para o Norte, do Leste para o Oeste, e assim por diante.
Para quem está na superfície do globo, há um abaixo (o chão) e um acima (o céu), e isto varia conforme o lugar da Terra em que estivermos. O curioso é que todos nós, brasileiros por exemplo, e nossos antípodas (chineses ou japoneses, não sei bem) estamos de pé: não há ninguém de cabeça para baixo no globo.
Porém há uma notável diferença: o céu sobre nossas cabeças será diferente se estivermos no hemisfério Norte ou no hemisfério Sul. As estrelas e constelações que vemos em cada um deles são diferentes. Aqui do Sul, nunca veremos a estrela polar; lá do Norte, eles nunca verão o Cruzeiro do Sul.
Vejamos então o que fazer quando queremos representar o globo terrestre num superfície plana - uma folha de papel. Se tivermos coragem de recortar com uma tesoura o nosso globo, vamos obter alguma coisa assim:

Mas normalmente não precisamos destruir um globo para fazer um mapa: fazemos uma projeção do globo no papel. Conforme o ângulo do qual é feita essa projeção, algumas partes ficarão maiores, outras menores (como numa foto: um lápis no primeiro plano pode ficar mais alto do que um edifício no horizonte). Se projetarmos do Norte para o Sul, o Norte ficará maior e estará situado acima. Se fizermos o contrário, o Sul ficará maior e estará acima.
Qual é a forma certa?
Nenhuma, ou as duas. Nenhuma é "A" certa; as duas são certas. Cada uma destaca (deixando-a maior) uma parte do planeta, e cada uma reflete a orientação de um dos hemisférios em relação ao céu. Se o Norte está em cima, é porque o globo foi fotografado numa posição tal que o céu do hemisfério Norte estava acima, com sua estrela polar e suas constelações boreais. Se o Sul está em cima, é porque a Terra foi visualizada de um ângulo em que o céu austral estava sobre as cabeças das pessoas, ou seja o mapa é uma projeção a partir do hemisfério Sul.
O importante é percebermos que "projeções cartográficas são técnicas destinadas a representar um objeto esférico e com três dimensões – o globo terrestre – numa folha de papel plana e com duas dimensões. Entretanto mais do que representar o planeta Terra, projeções cartográficas representam determinadas visões de mundo." Aqui, estive tratando "visão de mundo" de forma literal, isto é, me referindo apenas aos diferentes ângulos de onde se pode representar a Terra. Mas a Geografia não é inocente, e esses ângulos representam interesses e são também projeções de poder.
A apresentação que preparei para a ESG tratou da primeira dessas consequências, relativa à nossa posição. Mais tarde montarei outra, sobre o tamanho do nosso país.
Este blog não permite a inclusão de arquivos ppt, então coloco apenas as fotos, resumindo os textos intermediários e os comentários. Em resumo, defendi que embora o reposicionamento cartográfico proposto (em que o Brasil apareceria no centro do mapa, e o Polo Sul estaria na parte de cima do mesmo) tenha evidente impacto geopolítico, ele pode ser defendido por razões puramente geográficas ou espaciais.
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| O universo de Aristóteles (século IV aC) |
Portanto, nosso planeta, girando no espaço infinito, pode ser visto e fotografado do Norte para o Sul, do Sul para o Norte, do Leste para o Oeste, e assim por diante.
Mapa romano
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Orbis Terrarum (Orientação Leste-Oeste)
Século I a.C.
AUTOR: Marcus Vipsanius Agrippa
(Aqui, a importância da Itália se traduz na posição central que ocupa no mapa) Leer más: http://www.celtiberia.net/verimg.asp?id=1713#ixzz2euc7yYMk
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| O globo com o Brasil no centro, voltado para o Sul. |
Para quem está na superfície do globo, há um abaixo (o chão) e um acima (o céu), e isto varia conforme o lugar da Terra em que estivermos. O curioso é que todos nós, brasileiros por exemplo, e nossos antípodas (chineses ou japoneses, não sei bem) estamos de pé: não há ninguém de cabeça para baixo no globo.
Porém há uma notável diferença: o céu sobre nossas cabeças será diferente se estivermos no hemisfério Norte ou no hemisfério Sul. As estrelas e constelações que vemos em cada um deles são diferentes. Aqui do Sul, nunca veremos a estrela polar; lá do Norte, eles nunca verão o Cruzeiro do Sul.
Vejamos então o que fazer quando queremos representar o globo terrestre num superfície plana - uma folha de papel. Se tivermos coragem de recortar com uma tesoura o nosso globo, vamos obter alguma coisa assim:

Mas normalmente não precisamos destruir um globo para fazer um mapa: fazemos uma projeção do globo no papel. Conforme o ângulo do qual é feita essa projeção, algumas partes ficarão maiores, outras menores (como numa foto: um lápis no primeiro plano pode ficar mais alto do que um edifício no horizonte). Se projetarmos do Norte para o Sul, o Norte ficará maior e estará situado acima. Se fizermos o contrário, o Sul ficará maior e estará acima.
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| Aqui a posição está alinhada com o Sul, mas o ângulo ainda favorece o Norte em termos de tamanho. A Groelândia aparece do tamanho do Brasil, quando de fato é 4 vezes menor. |
Qual é a forma certa?
Nenhuma, ou as duas. Nenhuma é "A" certa; as duas são certas. Cada uma destaca (deixando-a maior) uma parte do planeta, e cada uma reflete a orientação de um dos hemisférios em relação ao céu. Se o Norte está em cima, é porque o globo foi fotografado numa posição tal que o céu do hemisfério Norte estava acima, com sua estrela polar e suas constelações boreais. Se o Sul está em cima, é porque a Terra foi visualizada de um ângulo em que o céu austral estava sobre as cabeças das pessoas, ou seja o mapa é uma projeção a partir do hemisfério Sul.
Colocar o Sul na parte superior dos mapas tem constituído, além de uma opção geográfica mais adequada para a representação do nosso hemisfério, também uma afirmação política.
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| Mapa de Al-Idrisi, 1154 |
Mas não devemos achar que os cartógrafos árabes ou dos séculos XVI e XVII estavam combatendo a hegemonia capitalista ou européia (muitos eram europeus) quando representavam os mapas orientados para o Sul. Entre inúmeros exemplos temos:
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| Mapa do veneziano Marini, 1512. O nome 'Brasil" aparece pela primeira vez num mapa. |
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| Nicolas Desliens, 1567 |
“Geography, sir, is ruinous in its effects on the lower classes. Reading, writing, and arithmetic are comparatively safe, but geography invariably leads to revolution.”
(1879 testimony before a Select Committee of the House of Commons, London, England, regarding expenditures of the London School Board)
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